Frases e trechos do livro "A Desobediência Civil" de Henry Thoreau

“[...] o governo é uma conveniência pela qual os homens conseguem, de bom grado, deixar-se em paz uns aos outros, e, como já se disse, quanto mais conveniente ele for, tanto mais deixará em paz seus governados.”

“Penso que devemos ser homens, em primeiro lugar, e depois súditos. Não é desejável cultivar pela lei o mesmo respeito que cultivamos pelo direito. A única obrigação que tenho o direito de assumir é a de fazer a qualquer tempo aquilo que considero de direito.”

“A grande maioria de homens serve ao Estado desse modo, não como homens propriamente, mas como máquinas, com seus corpos.”

“Estamos acostumados a dizer que a massa dos homens é despreparada, mas o progresso é lento porque a minoria não é substancialmente mais sábia ou melhor do que a maioria.”

“Há novecentos e noventa e nove defensores da virtude para cada homem virtuoso.”
“Vim a este mundo não, principalmente, para fazer dele um bom lugar para se viver, mas para viver nele, seja bom ou mau.”

“[...] não importa quão limitado possa parecer o começo: aquilo que é bem feito uma vez está feito para sempre.”
“Num governo que aprisiona qualquer pessoa injustamente, o verdadeiro lugar de um homem justo é também uma prisão.”

“Deves viver contigo e depender só de ti, sempre arrumado e pronto para partir, e não ter muitos negócios.”

“[...] o Estado nunca enfrenta intencionalmente a consciência intelectual ou moram de um homem, mas apenas seu corpo, seus sentidos. Não está equipado com inteligência ou honestidade superiores, mas com força física superior.”

“Se uma planta não consegue viver de acordo com sua natureza, ela morre, e assim também um homem.”



Henry David Thoreau (1817-1862) foi um filósofo, naturalista e poeta estadunidense. Caminhante solitário e defensor da Natureza, se isolou do convívio social por parte de sua vida. Sua obra antecipa preocupações ambientais e ecológicas. Ativista anti-impostos, foi preso por sonegação. Na prisão, escreveu esse livro em 1849, defendendo a desobediência civil como oposição legítima a um Estado injusto e autoritário. Nas mãos de Gandhi, esse livro o influenciou a derrubar um império. Embora os escritos de Thoreau tenham influenciado de anarquistas a ecologistas, o autor preferia não se definir sob nenhuma classificação política.

Tributo aos militantes

Esse texto é para louvar e agradecer à militância. Para tanto, escolhi um dos nossos “paradigmáticos”. Um militante que nessa luta foi extraordinário: José de Abreu. O cidadão, não o ator. Foi estimulante, comovente testemunhar a dedicação, a entrega desse homem à nossa causa.

- por Lula Miranda, na Agência Carta Maior

Nós vencemos. Eles perderam. Simples assim. Aproveitemos à exaustão o deleite e as delícias dessa sagrada vitória. Não lhes daremos “o gosto” de um suposto e extemporâneo “terceiro turno”. Não tripudiaremos, decerto, pois não é da nossa índole. Porém tampouco aceitaremos ou permitiremos que tentem macular nossa alegria, nossa folia, novamente, com suas infâmias, com esse abjeto racismo e separatismo que agora nos oferecem em sua bandeja de misérias. Não. Esse lixo não nos serve. Esse lixo não serve ao Brasil que ora, com muito zelo, construímos. Vivemos num Estado de Direto. As instituições darão conta desses infames.

Para que fique bem claro, de uma vez por todas: quem somos “nós”, quem são “eles”. Nós somos os “militantes da utopia”, os “justos”, generosos, fraternos, humanistas; somos os guardiões e militantes de uma causa que preconiza mais distribuição de renda, mais Bolsa Família, mais empregos, Luz para Todos, mais Minha Casa Minha Vida,uma maior presença do Estado na economia, mais investimentos em infra-estrutura e saneamento básico, saúde, educação e segurança, mais cidadania.

Repito, mais uma vez, para que fique cristalino: nós vencemos. O nosso projeto foi aprovado pela maioria esmagadora dos brasileiros, de Norte a Sul; do Nordeste ao Sudeste. Dilma Vana Rousseff foi eleita a primeira mulher presidente da República do Brasil. Dará continuidade e, mais que isso, aperfeiçoará o legado de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente-operário.

Já eles, os perdedores, em sua esmagadora maioria, são/representam a “vanguarda do atraso”, o fundamentalismo religioso, o ódio, todo tipo de preconceito, o separatismo, a privatização, ou seja, a entrega do Estado a interesses privados, o cruel “higienismo” contra os desassistidos. Representam, pois, o destampatório de todo mal, a Pandora inesgotável – como bem registrou em artigo o meu valoroso conterrâneo Leandro Fortes. Eles simbolizam os “bichos escrotos” que solertes saíram dos esgotos, das sombras com a pretensão de arruinar a nossa festa e, por conseguinte, o nosso projeto de um país para todos os brasileiros.

Mas não conseguiram. A esperança venceu o medo, novamente; a verdade venceu a mentira, com altivez e galhardia. A catequese amorosa, que é inerente a nossa natureza, e que aperfeiçoamos com Leonardo Boff, Frei Betto e tantos outros, venceu sobejamente a pregação odienta dos nossos antagonistas. Nós vencemos – nunca é demais reiterar. Nós vencemos!

Vencemos [palavra saborosa], sobretudo, graças a nossa militância: fraterna, valente, aguerrida, desinteressada, pois idealista, amorosa. Foi emocionante rever/reconhecer os companheiros nas ruas de todo o país, panfletando, agitando as bandeiras da Dilma com fervor cívico, como há muito não se via. Como - ou melhor, por quê?! - não chorar diante daquela histórica manifestação de apoio dos artistas e intelectuais no Teatro Casagrande no RJ? Ou na manifestação dos juristas e professores na PUC-SP ou dos intelectuais e professores no campus da USP, por exemplo? E os cem mil com Lula em Pernambuco?! Como segurar as lágrimas ao ouvir a declaração de apoio de Marilena Chauí? Como não vibrar com o discurso flamejante de Luiza Erundina? Não tenho dúvida: os melhores estavam (e sempre estarão) do nosso lado. Caminharemos juntos, sempre em frente, buscando um auspicioso/generoso porvir.

Mas esse texto é para louvar e agradecer à militância. Para tanto, escolhi um dos nossos “paradigmáticos”. Um militante que nessa luta foi extraordinário: José de Abreu. O cidadão, não o ator. Foi estimulante, comovente testemunhar a dedicação, a entrega desse homem à nossa causa. Vê-lo nas ruas, em sua pregação afetuosa no twitter ou mesmo no 1º Encontro dos Blogueiros Progressistas. Não à toa esteve no palco na noite da vitória em Brasília – chorava copiosamente –, não simplesmente na condição de “papagaio de pirata” da presidente eleita, mas nos representando, militantes que fomos/somos . O Zé ali era “nós na fita”. Ah, o Zé Bigorna foi sensacional, singular.

Os blogueiros progressistas [prefiro, você bem o sabe, “de esquerda”] também tiveram um papel fundamental – assim como seus leitores e comentaristas. Alguns jornalistas também se recusaram a se associar aos infames sabujos da velha mídia e não se omitiram. Cito aqui alguns deles, jornalistas, blogueiros, leitores/comentaristas, como uma forma de registrar o nosso agradecimento e homenagem: Rodrigo Vianna (fundamental!), Altamiro Borges (grande Miro!), Luis Carlos Azenha (a sagacidade em pessoa), Eduardo Guimarães (incansável), Paulo Henrique Amorim (um guerreiro!), Luis Nassif, Brizola Neto, Renato Rovai (o que mais “furou”, digo, deu em primeira mão,resultados de pesquisas), Deputado Paulo Teixeira, Miguel do Rosário, Maringone, “Seu Cloaca”, André Lux, Jorge Furtado, Idelber Avelar, Celso Lungaretti, Conceição Oliveira, Argemiro Ferreira, Izaías Almada, Marcelo Sales, Flávio Aguiar, Palhares, Emir Sader (o nosso “emir”), Gilson Caroni Filho (um virtuose da “logopéia”), Antônio Martins (outro virtuose), Venício Lima, Laurindo Leal Filho, Mino Carta, Bob Fernandes, Marco Aurélio Mello, Luis Favre, Maurício Thuswohl, Maria Frô, “Na Maria”, Marco Weissheimer, Leonardo Sakamoto, Francisco Carlos Teixeira, Luis Carlos Lopes, Maria Inês Nassif, pessoal do blog Amigos do Presidente, Grupo Beatrice, equipe do Observatório da Imprensa, pessoal da Rede Brasil Atual, pessoal da Caros Amigos, Stanley Burburinho, Gunter Zibell, Professor Hariovaldo, Malu Marcondes Ferreira, Guimarães s v, Messias Franca (de Feira de Santana, Bahia)...

São tantos os nomes/talentos que se irmanaram nessa nossa vitória que dá um orgulho danado de estar ao lado dessa gente tão valorosa. Não dá não?

São tantos os nomes desse nosso aguerrido “exército”. Mas certamente faltou elencar o seu, estimado leitor. Portanto, caso seu nome ainda não conste dessa minha imperfeita lista [na verdade, um rascunho inicial], é só subscrever abaixo, pois, ao final, complementarei esse elenco de nomes/talentos e farei um poema-objeto (um cartaz virtual, algo assim) com o registro de todos que, de alguma maneira/forma, contribuíram para essa vitória da cidadania; seja como militante nas ruas, seja como jornalista, articulista, blogueiro (“sujo” ou “limpinho”), como leitor, comentarista etc. Qualquer maneira de entrega/dedicação valeu a pena - literalmente.

Se você é um dos nossos, um dos vitoriosos, subscreva abaixo.

Parabéns! Você ajudou a vencer a infâmia, o ódio, a maledicência. Parabéns! Você ajudou a eleger a primeira presidente do Brasil!

Receba os meus/nossos sinceros cumprimentos e agradecimentos. Celebre bastante até o dia da posse. Não se deixe incomodar pelos desmancha-prazeres [os que, insanos, clamam por um 3º turno]. Certamente nos encontraremos novamente em Brasília.

A luta, porém, sabemos, não acaba nunca. Afinal, nunca é demasiado lembrar, militamos em nome da utopia.

Viva a Dilma! Viva Lula! Viva o Brasil!

Lula Miranda é poeta e cronista. Foi um dos nomes da poesia marginal na Bahia na década de 1980. Publica artigos em veículos da chamada imprensa alternativa, tais como Carta Maior, Caros Amigos, Observatório da Imprensa, Fazendo Média e blogs de esquerda.

Retirado do Blog Tudo em Cima de André Lux. Confira http://tudo-em-cima.blogspot.com/2010/11/lula-miranda-tributo-aos-militantes.html

Entenda porque eles odeiam o ENEM. Precisa explicar?


Eterna novidade do mundo














Eterna novidade do mundo


Viver é coisa sem rumo, desvairada...
Viagem sem volta, labirinto, vala.
É patinar no gelo fino,
é geleira, ao mesmo tempo, rio.


Depois nada, depois cansa.
Alguém socorre e após isso,
hipotecamos a própria vida
e vamos vivendo, consignadamente...

Minhas coisas possuem obsolecência,
Minhas verdades influências,
Meu nariz não tem dono,
imaginem então meu coração!

E assim vou vivendo,
buscando inconscientemente a felicidade.
Os dias são como queda em poço sem fundo,
viva a eterna novidade do mundo!


Autor: Alexandre Fernandes

Miotopia

Em homenagem a todos os míopes diagnosticados oftamologicamente
e também aos míopes que mesmo não sendo, insistem em ver a vida de
outra maneira.



MIOTOPIA


Passava naquela rua,

E toda vez, admirava aquela lua.

Estava sempre cheia

Mas como?



Algo me atraia

E então eu ia,

Admirar aquela maravilha.

E dizia: Que lua linda!



Até que um dia coloquei meus óculos

E aquela “lua” se transformou em tédio

Aquilo que eu via, era apenas o relógio

Grande e luminoso no alto do prédio.



Depois pensei: Que engraçado!

O quanto eu fui feliz mesmo enganado.

Eu aqui desperdiçando a vida atrás de certezas

Enquanto minha miopia contemplava a beleza.



Alexandre

Sem “inimigo”, movimento estudantil tem baixa adesão

















Da resistência à ditadura nos anos de chumbo às acanhadas manifestações no século 21, o movimento estudantil brasileiro mudou de cara. O desafio é tentar driblar a apa­­­­­tia juvenil para fazer jus ao seu DNA: lutar contra o sucateamento do ensino e se posicionar frente às reivindicações da política nacional.



Em um discurso com predomínio do tom antineoliberal, jovens empunham a bandeira da educação em passeatas, debates e congressos, nos quais não deixam para trás reivindicações que passam pelo meio ambiente, o debate em torno do pré-sal e o combate à corrupção. No entanto, as iniciativas não escondem a baixa adesão de estudantes e o esvaziamento do movimento.



“Os jovens não são incentivados para a participação na esfera política e, mesmo convocados, omitem-se ou demonstram desafeição pela política”, diz a cientista política Rosana Nazzarie, professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).



Para Rosana, o movimento estudantil é importante porque incentiva a participação futura e consciente dos jovens em esferas decisórias mais amplas, incluindo a política nacional.

Os próprios estudantes reconhecem que o maior desafio do movimento passa pela adesão. Para o presidente da União Paranaense de Estudantes (Upes), Paulo Moreira da Rosa Júnior, a situação do movimento estudantil hoje é diferente do passado porque as formas de mobilização estão divididas. Há estudantes atraídos por ONGs e outras entidades, ao contrário de décadas anteriores, quando a concentração maior era no próprio movimento estudantil.



No Paraná, o movimento estudantil voltou à cena este ano, quando se uniu a milhares de pessoas para cobrar transparência e ética dos deputados estaduais. Mas não é somente em momentos como este que os estudantes estão presentes. Para o presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Maringá, Lucas Okado, de 23 anos, por mais que o movimento estudantil não esteja em evidência na maior parte do tempo, ele nunca deixou de ser combativo e organizado. “Na UEM nós temos cerca de 50 cursos, quase todos com centros acadêmicos ativos, discutindo e reivindicando a melhoria do ensino”, diz.



Para o presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UEM, Stephano Nunes, 20, o movimento estudantil age de forma dinâmica. “Nós agimos prestando assistência estudantil, fazendo enfrentamento político, enfim, nos engajamos em prol de uma formação acadêmica de qualidade e de uma sociedade mais democrática”.



O presidente da União Lon­­­dri­­­nense dos Estudantes (Ules), André Fabio Lopes, 20, também acredita que o movimento estudantil continua sendo um poderoso instrumento de formação cidadã: “Eu não concordo quando dizem que o movimento está parado. Na verdade, temos formas de nos organizar diferentes das décadas passadas”, explicou Lopes.



Interesse



Quando o jovem é interessado nas questões políticas, o desejo de participação começa cedo. Messias Dídimo Andrade, 17 anos, é um exemplo. Ele cursa o 3.º ano do ensino médio e está ligado às reivindicações juvenis. Participa de eventos dos Conselhos da Criança e Adolescente e teve a iniciativa de formar um grêmio estudantil no colégio Dobrandino Gustavo da Silva, em Foz do Iguaçu. Este ano, Messias foi um dos três paranaenses eleitos para participar do Parlamento Juvenil do Mercosul. “O interesse político dos estudantes é bem fraco. Mas quando tem algo mais dinâmico a participação é boa”, avalia.



Para o historiador da UEM Reginaldo Dias, os grupos não eram mais fortes nas décadas passadas. “Considero apenas que era diferente. O país mudou. A pauta mudou. As formas de atuação devem ser coerentes com o am­­­biente institucional. Na época da ditadura, era uma luta maniqueísta e a pauta era bastante ampla”. Para o professor, não se deve ter a ilusão de que, naquela época, todo mundo era contestador e gostava de se mobilizar. Como as ações eram naturalmente ruidosas, criava-se essa impressão.


Dilma: garantir conquistas e consolidar avanços

Por Leonardo Boff

O Brasil já deixou de “estar deitado eternamente em berço esplêndido”.

Nos últimos anos, particularmente sob a administração do Presidente Lula, conheceu transformações inéditas em nossa história. Elas se derivaram de um projeto político que decide colocar a nação acima do mercado, que concede centralidade ao social-popular, conseguindo integrar milhões e milhões de pessoas, antes condenadas à exclusão e a morrer antes do tempo.

Apesar dos constrangimentos que teve que assumir da macroeconomia neoliberal, não se submeteu aos ditames vindos do FMI, do Banco Mundial e de outras instâncias que comandam o curso da globalização econômica. Abriu um caminho próprio, tão sustentável que enfrentou com sucesso a profunda crise econômico-financeira que dizimou as economias centrais e que devido à escassez crescente de bens e serviços naturais e ao aquecimento global está pondo em xeque a própria reprodução do sistema do capital.

O governo Lula realizou a revolução brasileira no sentido de Caio Prado Jr. no seu clássico A Revolução Brasileira (1966):”Transformações capazes de reestruturarem a vida de um pais de maneira consentânea com suas necessidades mais gerais e profundas, e as aspirações da grande massa de sua população…algo que leve a vida do país por um novo rumo".

As transformações ocorreram, as necessidades mais gerais de comer, morar, trabalhar, estudar e ter luz e saúde foram, em grande parte, realizadas. Rasgou-se um novo rumo ao nosso pais, rumo que confere dignidade sempre negada às grandes maiorias. Lula nunca traiu sua promessa de erradicar a fome e de colocar o acento no social. Sua ação foi tão impactante que foi considerado uma das grandes lideranças mundiais.



Esse inestimável legado não pode ser posto em risco. Apesar dos erros e desvios ocorridos durante seu governo, que importa reconhecer, corrigir e punir, as transformações devem ser consolidadas e completadas. Esse é o significado maior da vitória da candidata Dilma que é portadora das qualidades necessárias para esse “fazimento”continuado do novo Brasil.



Para isso é importante derrotar o candidato da oposição José Serra. Ele representa outro projeto de Brasil que vem do passado, se reveste de belas palavras e de propostas ilusórias mas que fundamentalmente é neoliberal e não-popular e que se propõe privatizar e debilitar o Estado para permitir atuação livre do capital privado nacional, articulado com o mundial.



Os ideólogos do PSDB que sustentam Serra consideram como irreversível o processo de globalização pela via do mercado, apesar de estar em crise. Dizem, nele devemos nos inserir, mesmo que seja de forma subalterna. Caso contrário, pensam eles, seremos condenados à irrelevância histórica. Isso aparece claramente quando Serra aborda a política externa. Explicitamente se alinha às potências centrais, imperialistas e militaristas que persistem no uso da violência para resolver os problemas mundiais, ridicularizando o intento do Presidente Lula de fundar uma nova diplomacia baseada no dialogo e na negociação sincera na base do ganha-ganha.



O destino do Brasil, dentro desta opção, está mais pendente das megaforças que controlam o mercado mundial do que das decisões políticas dos brasileiros. A autonomia do Brasil com um projeto próprio de nação, que pode ajudar a humanidade, atribulada por tantos riscos, a encontrar um novo rumo salvador, está totalmente ausente em seu discurso.



Esse projeto neoliberal, triunfante nos 8 anos sob Fernando Henrique Cardoso, realizou feitos importantes, especialmente, na estabilização econômica. Mas fez políticas pobres para os pobre e ricas para os ricos. As políticas sociais não passavam de migalhas. Os portadores do projeto neoliberal são setores ligados ao agronegócio de exportação, as elites econômico-financeiras, modernas no estilo de vida mas conservadores no pensamento, os representantes das multinacionais, sediadas em nosso pais e as forças políticas da modernização tecnológica sem transformações sociais.



Votar em Dilma é garantir as conquistas feitas em favor das grandes maiorias e consolidar um Estado, cuja Presidenta saberá cuidar do povo, pois é da essência do feminino cuidar e proteger a vida em todas as suas formas.

Leonardo Boff

Lula não entende nada!




















Lula, que não entende de sociologia,

levou 32 milhões de miseráveis e pobres

à condição de consumidores;

e que também não entende de economia;

pagou as contas de FHC,

zerou a dívida com o FMI e

ainda empresta algum aos ricos;

Lula, o analfabeto, que não entende de educação, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos [14 universidades públicas e estendeu mais de 40 campi],

e ainda criou o PRÓ-UNI,

que leva o filho do pobre à universidade

[meio milhão de bolsa para pobres

em escolas particulares].



Lula, que não entende de finanças

nem de contas públicas,

elevou o salário mínimo de

64 para mais de 291 dólares [valores de

janeiro de 2010], e não quebrou a previdência como queria FHC.


Lula, que não entende de psicologia,

levantou o moral da nação e disse que o

Brasil está melhor que o mundo.

Embora o PIG-Partido da Imprensa Golpista, que entende de tudo, diga que não.



Lula, que não entende de engenharia,

nem de mecânica,

nem de nada,

reabilitou o Proálcool,

acreditou no biodiesel e levou o país

à liderança mundial de combustíveis renováveis [maior programa de energia alternativa ao petróleo do planeta].



Lula, que não entende de política,

mudou os paradigmas mundiais e

colocou o Brasil na liderança

dos países emergentes,

passou a ser respeitado

e enterrou o G-8 [criou o G-20].



Lula, que não entende de política externa nem de

conciliação, pois foi sindicalista brucutu; mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos

da América Latina, onde exerce

liderança absoluta sem ser imperialista.

Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel, Obama, Evo etc.

Bobo que é, cedeu a tudo e a todos.



Lula, que não entende de

mulher nem de negro,

colocou o primeiro negro no Supremo

(desmoralizado por brancos) e

uma mulher no cargo de primeira ministra,

e que pode inclusive, fazê-la sua sucessora.



Lula, que não entende de etiqueta,

sentou ao lado da rainha (a convite dela) e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.



Lula, que não entende de desenvolvimento,

nunca ouviu falar de Keynes, criou o PAC;

antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é

hora de o Estado investir;

hoje o PAC é um amortecedor da crise.



Lula, que não entende de crise,

mandou baixar o IPI e levou a

indústria automobilística a

bater recorde no trimestre

[como também na linha branca de eletrodomésticos].



Lula, que não entende de português

nem de outra língua, tem fluência entre

os líderes mundiais;

é respeitado e citado entre as pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual

[o melhor do mundo para o Le Monde, Times, News Week, Financial Times e outros...].



Lula, que não entende de respeito a seus pares,

pois é um brucutu,

já tinha empatia e relação direta com George Bush -

notada até pela imprensa americana -

e agora tem a mesma empatia com Barack Obama.



Lula, que não entende nada de sindicato,

pois era apenas um agitador...

é amigo do tal John Sweeny

[presidente da AFL-CIO -

American Federation Labor-Central

Industrial Congres - a central de trabalhadores dos Estados Unidos, que lá sim, é única...]

e entra na Casa Branca com credencial de negociador e fala direto com o Tio Sam lá, nos "States".



Lula, que não entende de geografia,

pois não sabe interpretar um mapa

é autor da maior mudança geopolítica

das Américas na história.



Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado,

age com sabedoria em todas as frentes e se

torna interlocutor universal.



Lula, que não entende nada de história,

pois é apenas um locutor de bravatas;

faz história e será lembrado por um grande

legado, dentro e fora do Brasil.



Lula, que não entende nada de

conflitos armados nem de guerra,

pois é um pacifista ingênuo,

já é cotado pelos palestinos para

dialogar com Israel.

Lula, que não entende nada de nada...

é bem melhor que todos os outros...!





Pedro Lima *

Imagens valem mais do que palavras...








O direito de sonhar - Eduardo Galeano
















Sonhar não faz parte dos trinta direitos humanos que as Nações Unidas proclamaram no final de 1948. Mas, se não fosse por causa do direito de sonhar e pela água que dele jorra, a maior parte dos direitos morreria de sede.

Deliremos, pois, por um instante.

Nas ruas e avenidas, carros vão ser atropelados por cachorros.

O povo não será guiado pelos carros, nem programado pelo computador, nem comprado pelo supermercado, nem visto pela TV.

A TV vai deixar de ser o mais importante membro da família, para ser tratada como um ferro de passar ou uma máquina de lavar roupas.

Vamos trabalhar para viver, em vez de viver para trabalhar.

Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem de qualidade de vida a quantidade de coisas.

Os políticos não vão mais acreditar que os pobres gostem de encher a barriga de promessas.

O mundo não vai estar mais em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza.

E a indústria militar não vai ter outra saída senão declarar falência, para sempre.

Ninguém vai morrer de fome, porque não haverá ninguém morrendo de indigestão.

Os meninos de rua não vão ser tratados como se fossem lixo, porque não vão existir meninos de rua.

Os meninos ricos não vão ser tratados como se fossem dinheiro, porque não vão existir meninos ricos.

A educação não vai ser um privilégio de quem pode pagar por ela.

A polícia não vai ser a maldição de quem não pode comprá-la.
Justiça e liberdade, gêmeas siamesas condenadas a viver separadas, vão estar de novo unidas, bem juntinhas, ombro a ombro.


(Eduardo Galeano)

Democracia, uma lição que precisamos aprender

É nosso desafio afirmar a democracia, tanto a representativa (que, apesar de tantas decepções, ainda merece nosso voto e nossa consciência) quanto a democracia direta, através da nossa participação e do apoio aos movimentos sociais organizados. Sobre este tema da nossa cidadania, conversamos com Ana Maria Prestes Rabelo.

Mundo Jovem: A democracia representativa e formal fracassou? É insuficiente?

Ana Maria Prestes: A democracia representativa é fruto de uma concepção liberal que sempre teve como objetivo manter o poder político nas mãos das elites e pouco acessível à maioria da população. Como ideário, ela não fracassou, visto que se espalhou como modelo hegemônico e tem sido utilizada como mote para justificar as campanhas belicistas do imperialismo no período recente. Por outro lado, sua insuficiência é flagrante e muitas têm sido as iniciativas de introduzir elementos de democracia direta, deliberativa e participativa nos países que conseguem projetar programas alternativos ao liberalismo em seus governos.



A questão fundamental é que ao mesmo tempo em que o mundo vive a difusão do modelo liberal de democracia representativa, apresentada pela globalização hegemônica como a melhor forma de organização das sociedades humanas, as pessoas se veem cada vez mais afastadas da possibilidade de opinar e influir em decisões que atingem diretamente suas vidas. O vácuo, ou o déficit democrático criado entre o que se discute e aprova nos encontros multilaterais ou globais, por exemplo, e o entendimento e a opinião dos cidadãos nacionais sobre tais decisões, gerou um espaço político a ser preenchido. Esta foi uma condição essencial para o surgimento de encontros como o Fórum Social Mundial.



Mundo Jovem: Qual o papel e a importância dos movimentos sociais para a democracia?

Ana Maria Prestes: Os movimentos sociais (grupos, associações e organizações não governamentais que se articulam coletivamente em torno de uma luta específica) ajudam a demonstrar os pontos falhos da democracia representativa de modelo elitista que cirscunscreve a participação política ao processo de votação eleitoral. No período que separa uma eleição da outra, a maioria da população fica privada de interferir no andamento das políticas públicas e é exatamente através dos movimentos sociais que as demandas vão surgir e se expressar para o conjunto da sociedade.



Movimentos sociais fortes são fundamentais para que as decisões políticas sejam mais democráticas e tenham consonância com as demandas sociais. A cultura do associativismo e da solidariedade social presente nos movimentos sociais é fundamental para pressionar a ampliação do espaço público nas democracias liberais que tendem à privatização do Estado e do escopo de atuação civil. No Brasil, os movimentos sociais tiveram, no período recente, um papel importantíssimo no estabelecimento de novas relações entre o Estado e a sociedade no que tange, por exemplo, às relações de gênero, etnia, uso do espaço público e vários outros aspectos que democratizam esta relação.



Mundo Jovem: Onde começa e como deve acontecer o estímulo e a formação para a participação cidadã?

Ana Maria Prestes: De preferência o mais cedo possível. Na família, na escola, nas primeiras experiências de relações sociais das crianças e dos jovens. O Estado precisa estar aberto à participação cidadã, as escolas devem estar preparadas para formar as crianças e os jovens em uma cultura participativa e a sociedade deve praticar esta cultura de forma ativa. As pessoas participam se percebem que há sentido nesta participação, que sua ação interfere na dinâmica social, e este é um bom termômetro do grau de democracia das sociedades.



Mundo Jovem: Em que setores a população brasileira se organiza? Que experiências são mais significativas?

Ana Maria Prestes: A sociedade brasileira tem uma história muito rica de organização e luta. Desde as lutas abolicionistas às recentes mobilizações para a democratização da mídia. O Brasil é referência mundial em organização pela reforma agrária, pelos direitos das mulheres, pelo fim da discriminação racial, pelos direitos da juventude e dos estudantes, pelo direito à moradia, pela ampla justiça social. No período recente, nosso país também se tornou referência pela implementação de alguns mecanismos de democracia participativa e deliberativa, como os orçamentos participativos, o funcionamento de conselhos setoriais e a realização de conferências temáticas.



Mundo Jovem: Por que a participação social é tão pequena? Falta envolvimento mais massivo?

Ana Maria Prestes: De fato falta um envolvimento mais massivo, mas a questão é que as formas de participação social também mudaram. As maiores mobilizações antiglobalização neoliberal foram organizadas por internet e mensagens de celular. Isso demonstra uma mudança no padrão de participação e envolvimento em campanhas, especialmente dos jovens. As pessoas só participam daquilo que faz algum sentido para elas. É por isso que os setores que mais mobilizam são os que apresentam maior déficit de resposta do poder público. Ao mesmo tempo, as pessoas têm sido estimuladas a práticas cada vez mais individualizadas. As ações coletivas são tachadas como perda de tempo e energia, a concepção liberal que ainda viceja na nossa sociedade prega as conquistas pelo esforço individual e, invariavelmente, com prejuízo da conquista do outro. As conquistas coletivas são vistas como práticas ultrapassadas e antiquadas. O mérito está em vencer sozinho e de preferência desqualificando os demais.



Mundo Jovem: A experiência dos fóruns sociais mundiais (FSM) contribui para o avanço da democracia?

Ana Maria Prestes: Certamente. Os primeiros FSM, realizados em Porto Alegre, ampliaram para o mundo o exemplo de uma experiência importante de democracia participativa, que é o orçamento participativo. O acesso a esta experiência levou o debate sobre modelos de democracia participativa para vários países do mundo. Por outro lado, a própria existência do FSM é um questionamento à validade das decisões tomadas em âmbito transnacional sem consulta às populações nacionais. É um questionamento à democracia na era da globalização.



O FSM nasce em um momento em que os estados nacionais, de uma forma geral, sofrem uma influência cada vez maior da colaboração internacional em áreas essenciais, como defesa ou comunicação, e do aumento da integração política com outros estados através da consolidação de novos corpos políticos, como a União Europeia ou a OMC. Essa situação, ao mesmo tempo em que amplia a atuação do Estado na arena internacional, limita seu poder de ação interna e seu poder de dar respostas, oportunamente ou não, às demandas sociais nacionais. O FSM abre uma série de discussões sobre os procedimentos democráticos do século 21 e de um novo tipo de participação política de cidadãos e organizações antes restritos à atuação local.



Mundo Jovem: Vivemos um tempo de restrição/criminalização dos movimentos sociais. Por quê? A quem interessa?

Ana Maria Prestes: Após um período de descenso dos movimentos, especialmente no pósqueda do Leste Europeu e apogeu do neoliberalismo, os movimentos sociais voltaram à cena. Com esse retorno, surgiram eventos importantes como a derrota da rodada do milênio da OMC em Seattle (em 1999), o Fórum Social Mundial e uma importante aliança entre movimentos e governos progressistas em vários países da América Latina, o que atingiu em cheio a hegemonia imperialista norte-americana. A criminalização dos movimentos sociais vem como uma resposta dos setores que perderam espaço com este ascenso dos movimentos sociais e de um ideário antineoliberal. Ela vem também após o 11 de setembro e com os dois governos da era Bush, que associaram qualquer tipo de manifestação política antineoliberal a práticas terroristas, na busca de justificar a ofensiva aos movimentos. No Brasil, nos últimos anos, foi flagrante a ostensiva criminalização dos movimentos sociais no sul do país, em particular no Rio Grande do Sul, com a ação do governo em defesa das empr sas de celulose e em prejuízo dos movimentos pela reforma agrária e ambientais.



Mundo Jovem: A escola poderia capacitar os jovens para a participação? Como poderia fazer?

Ana Maria Prestes: Não só poderia, como deveria. O ambiente escolar é o ideal para iniciar os jovens nas discussões sobre os procedimentos de tomada de decisão de forma democrática em todos os âmbitos da vida, não somente no político. A democracia não deve ser ensinada apenas em disciplinas específicas como a Sociologia ou a História, mas vivenciada na escola, seja no processo de escolha do diretor ou do uso da quadra esportiva, de modo que os jovens possam projetar estas experiências para os outros campos da vida, fora da escola.


Ana Maria Prestes Rabelo,

Mestre em Ciência Política, membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, de Belo Horizonte, MG. Endereço eletrônico: amprestes@hotmail.com