Politicagem

No nosso primeiro artigo, tratamos aqui sobre o que seria a verdadeira política, aquela voltada para o bem-estar e satisfação plena das necessidades de uma determinada população. Dessa vez, vamos fazer o contrário, tentaremos entender o que é a politicagem.
A politicagem é a maneira mesquinha de fazer política, ou seja, é a prática voltada para os próprios interesses e recheada de demagogia. Geralmente, ela é embasada na troca de favores, algo do tipo: “Toda sua família vota em mim e quando eleito lhes darei o que vocês precisarem!”. É sempre a mesma história, é dentadura pra um, material de construção para outro, tratamento médico, ofertas de cargos públicos, dinheiro, etc. O pior é que as pessoas não enxergam que, ao mesmo tempo em que recebem tais benefícios do candidato “bonzinho”, estão colocando no poder uma salafrário, charlatão e corrupto, que lá, vai estar por quatro anos buscando sempre uma maneira de favorecer a si próprio. Tais politiqueiros pensam que toda obrigação que deviam ao povo foi cumprida quando pagou pelos votos. Candidato assim não se preocupa, pois sabe que quando estiver no poder vai recuperar todo o dinheiro investido. E “metem a mão” uma vez para recuperarem os gastos da campanha, “metem a mão” novamente para pagar o “favorzinho” que havia esquecido para a Dona Maria, e “metem a mão” de novo para embolsarem um pouco, pois se consideram também “filhos” de Deus e merecem uma “recompensa”. E o final da história vocês já sabem, passam se quatro anos e a cidade não sai do lugar.

Em época de campanha é sempre do mesmo jeito, o candidato te reconhece do outro lado da rua, pega na sua mão e te mostra aquele sorriso, sem antes nunca ter olhado na sua cara. Nos comícios é aquele “bate-boca” infindável, faltando citar a mãe do outro na polêmica. Se fossem verdadeiros políticos, estariam ali com a população discutindo idéias e sonhos a fim de construir uma cidade mais humana, justa e fraterna. Se tivessem vocação e entendimento político, conscientizavam as pessoas do poder que elas têm nas mãos; de opinar, criticar, cobrar e também participar de todas as decisões do município.

Não devemos nunca nos esquecer que somos responsáveis por aqueles que elegemos. Após as eleições é preciso acompanhar de perto o trabalho de nossos representantes, participando e opinando nas reuniões de câmara, cobrando promessas eleitorais, exigir transparência no orçamento público, etc. Enfim, é preciso entender que vereadores, prefeitos, deputados e outros, são simplesmente EMPREGADOS do povo, e ao povo devem toda a obrigação.

E nunca se esqueçam, qualquer melhoria rumo ao desenvolvimento de uma cidade, seja na cultura, educação, esporte, saúde e outros, depende da política. Por isso, da próxima vez, analisem o passado político de seus candidatos, votem conscientes e não deixem prevalecer a velha história de que “brasileiro tem memória curta.” Afinal, quatro anos é muito tempo para se perder...

Alexandre Macedo

(Artigo publicado na Revista Sou + Minas de Capelinha-MG)

Sistema econômico ruindo: à procura do novo.

A minha formação de educador e de psicólogo me manteve bastante longe da compreensão de assuntos econômicos e o que mais deveria fazer seria me manter quieto em vez de dar palpites num assunto pouco familiar. Acontece no entanto que, como qualquer cidadão, estou sofrendo as consequências de um sistema econômico em franco regime de catástrofe. pelo menos tenho o direito de perguntar aos economistas se existe saída para este estado de coisas.



Pelo que entendi até agora é que o nosso Planeta Terra não agüenta mais o consumo exagerado dos países do primeiro mundo. O hiperconsumismo está destruindo sorrateiramente a vida no nosso Gaia.


Paralelamente a isto, o terceiro mundo, situado no Sul do hemisfério tem como maior sonho chegar ao grau de desenvolvimento econômico dos países chamados desenvolvidos.


Em outras palavras: tanto o sistema capitalista como o sistema socialista cometeram o erro fundamental de acreditar num caráter ilimitado dos recursos naturais.


Diante do fato de que os recursos do planeta são limitados, não seria o caso de colocar muito mais empenho nas recomendações do relatório brundtland que introduz um novo conceito econômico de desenvolvimento "sustentável" ou em melhor português "viável"? Mas o que significa viável senão um desenvolvimento que permita preservar a vida? É isto possível? quantos números de automóveis o planeta agüenta?


Não será o caso do Norte começar a limitar o seu consumo dentro do espírito deste movimento de simplicidade voluntária que já envolve milhões de habitantes do hemisfério Norte?


Não seria o caso também de estabelecer critérios de um conforto essencial para todo mundo e mais especialmente para os países do terceiro mundo? Serão os novos índices de desenvolvimento humano (IDH) fomentados pela ONU suficientes para orientar esta tarefa?


Será o "Neo-liberalismo" capaz de assumir esta tarefa gigantesca, mesmo através da limitação dos estragos do capitalismo selvagem, ego-sócio e antropocentrado? Ou teremos de voltar a um dirigismo econômico com o risco de uma nova burocracia ditatorial?


Será que o combate às inflações dos países do hemisfério Sul, tem que passar pelo aumento do desemprego, da fome e da miséria? Para onde vai o dinheiro dos juros?


Quando é que os países do primeiro mundo sairão da sua cegueira e perceberão que estão sendo invadidos, sem guerra nem violência, por milhões de seres humanos do terceiro mundo à procura de emprego e comida? Quando é que perceberão que isto provém em grande parte de dívidas externas impossíveis de serem saldadas? Quando é que chegarão a conclusão de que o "conforto essencial" do Sul é uma condição de sobrevivência do Norte? Não será também o caso do Leste Europeu? Onde tiver pobreza haverá invasão, em geral difícil de ser controlada. Perdoar as dívidas externas não será em parte, um caminho para chegar ao conforto essencial do sul e do Leste?


Há meios econômicos de controlar o aumento populacional? E este aumento realmente é maléfico em última instância, ou haverá meios econômicos compatíveis com o conforto essencial para as novas populações surgidas deste aumento? Será que a Terra está ainda em pleno processo de ser povoada pelo ser humano?

Pierre Weil

Neocapitalismo ou Neofeudalismo?

Vivemos numa época muito curiosa e até intrigante. Algo está a nos deixar perplexos: À medida que se desenvolve o neo-capitalismo, a pobreza e a miséria aumenta. Isto se dá não somente nos países pobres, mas também nos, do primeiro mundo.



As causas são bastante conhecidas desde os estudos de Marx. Há porém fatores mais recentes que vem ainda mais piorar o quadro: a explosão populacional, a automação, a informática, o "enxugamento" dos programas de racionalização do trabalho, estão "jogar" milhões de seres humanos para a rua aumentando estupidamente o número de excluídos do processo sócio-econômico.


Com isto estamos voltando progressivamente à uma situação bastante parecida com a da época feudal, na qual tinha os senhores feudais com a sua corte e súditos que viviam numa situação financeira ótima ou razoável conforme o caso, e de outro lado a maioria do povo que padecia na miséria. O resultado era uma situação permanente de assaltos, violência, roubos, o que obrigava a classe dominante a se trancar dentro de castelos, cercados por um sistema de defesa constituído por um cinturão de água, e colossais muros. Para entrar, a famosa ponte levadiça.


Parece que estamos voltando para uma situação bastante parecida. Enquanto aumenta a pobreza e a miséria, através sobretudo do desemprego, aumentam os assaltos e, paralelamente as medidas de proteção; a única diferença com a época medieval, é que os sistemas de defesas foram modernizados. Em vez das altas paredes, temos as grades metálicas pontiagudas; no lugar da ponte elevadiça, temos o portão eletrônico; as torres de observação, foram substituídas por câmaras de televisão e os vigias que davam o alarme são agora representados por sistemas eletrônicos de alarme.


A história se repete, mas com diferenças referente à época. Os meios primitivos da era medieval foram substituídos por processos etnológicos sofisticados. Mas a situação e a sintomatologia são assustadoramente parecidos. Não será um dos sinais de alarme de que precisamos mudar de sistema econômico?

Vídeo para reflexão

Fábrica de consumidores

Era uma vez uma população de seres humanos bastantes estranhos. Era dominada por uma turma de outros seres humanos que os levava todos os dias, tal como gados, para as fábricas e escritórios, sem que eles nem pudessem reagir.



Não que eles fossem forçados a ir pelo domínio de uma polícia que os empurraria para uma espécie de curral; Não era assim que as coisas se passavam. A turma de cima era muito mais esperta e usava processo sofisticadíssimos, meios que faziam que os seres humanos nem percebiam que eram encurralados; muito antes pelo contrário: tinham a certeza que iam trabalhar com toda liberdade. o processo usado pela turma dominante era a educação. Desde o berço e depois na escola se mostrava que o objetivo da vida era a produção; sem produção não se podia viver nem sobreviver; sem produção não havia possibilidade de ganhar dinheiro; e com o dinheiro se podia comprar uma séria de coisas inúteis e ilusórias, como brincos, patinetes, rádios de pilhas, televisões, computadores, quadros, estátuas, vasos, etc.


E cada um comprava o que precisava e não precisava, também sem saber o que estava induzindo a consumir; como cada um tinha uma TV ou um rádio ou pelo menos compravam um jornal por dia, a turma de cima tinha montado um outro sistema reforçador da educação anterior: martelava a cabeça da população com anúncios, slogans, os mais diversos o que faziam com que todo mundo fossem para as lojas comprar aquilo que passavam dias e dias, produzindo nas fábricas e nas oficinas.


Assim esta população passava quase todo o seu tempo produzindo produtos para depois comprá-los e os consumir.


Eram infelizes, brigavam nos campos de futebol onde eram levados pelo mesmo processo.


Alguns raros seres humanos escapavam deste processo; Viviam escondidos em florestas; Viviam felizes, em harmonia com a natureza, sem dinheiro, nem rádio, nem TV, nem geladeira. Confiavam num ser maior cuja a natureza lhes proporcionava o conforto essencial...


E não precisa dizer que toda a semelhança com seres humanos atuais será mera coincidência...

Pierre Weil
 

Como despertar o amor...

Passei dezenas de anos sem saber o que é o verdadeiro amor. Certo dia, durante um retiro de três anos com um mestre do Tibet, perguntei a um deles: "O que é amor?" Ele me respondeu: "Amar consiste em querer a felicidade de todos os seres". Fiquei surpreso e deslumbrado com esta resposta.



Muitas pessoas tem momentos privilegiados em que se sentem invadidos por uma felicidade tal, que transborde os seus limites pessoais, e faz com que desejam que esta felicidade seja de todo mundo. Isto acontece nos primórdios de um namoro por exemplo, em que estamos como transportados pela felicidade e comunicamos isto para os outros, os amigos, os conhecidos. Neste período, podemos dizer que estamos em estado de amor.


Este, desperta quando jogamos pontes sobre as fronteiras e os limites ilusórios do nosso próprio ego, e passamos a "querer bem" ao outro. Isto pode começar com o namorado e se estender a todos seres vivos.


A questão é que este deslumbramento desaparece depois de um certo tempo criando saudades "daquele tempo" e ressentimentos pelo fato que não se consegue fazê-lo voltar. Como despertar e cultivar este estado de amor de modo permanente?


Se olharmos mais de perto o que acontece durante os primórdios de namoro vamos verificar a presença de três aspectos diferentes mas que se mantém inseparáveis quando harmoniosamente equilibrados. São eles:

1. O despertar da forma sexual da energia no ser humano, como impulso irresistível

2. O despertar de sentimentos puros, românticos, de afeição, de ternura, de doação. Este impulso é também muito forte e irresistível como o sexo. Começa a descoberta da alma do outro e da sua própria. É uma verdadeira revelação. É o impulso de erros.

3. Despertar do amor verdadeiro como descoberta da verdadeira natureza do espírito e como vivência permanente dos valores ligados a ele, tais como a beleza, a verdade, o sagrado, o caráter maravilhoso e divino da existência, o eterno da vida.


Encontramos esta distinção bastante esclarecedora no livro de Eva Pierrakos. Consideramos esta obra como uma das maiores sínteses jamais escrita sobre o assunto do amor. Ela nos mostra como Eros constitui o elo entre o sexo e o amor. A força erótica precisa ser mantida pois é ela que leva ao verdadeiro amor. Excesso de atividade sexual arrisca matar Eros. "Você deve utilizar essa força de Eros como um impulso inicial, e através encontrar o estímulo de prosseguir por seu próprio alento. Então, disse ela, você terá atraído Eros para o verdadeiro amor".


Freud já dizia que o casal que quer manter a ternura precisa limitar a freqüência das suas relações sexuais. O que Eva Pierrakos está a nos mostrar é que é importante dissolver a separatividade entre sexo, Eros e amor. Sem amor a força de Eros desaparece. "É este, sem dúvida, o problema com o casamento. A maioria das pessoas não tem condições de chegar ao casamento ideal porque é incapaz de oferecer amor puro".


Para manter um estado de amor, é preciso cultivar a força erótica uma vez instalada através da descoberta da alma de cada um. Estas almas tem qualidades infinitas, pois o espírito que as anima é eterno. A eternidade do espírito é a eternidade do amor divino.


A força criadora do sexo, se entregando a Eros, se transformará em estado permanente de amor, constantemente renovado, em força espiritual verdadeira. É uma vivência maravilhosa, ao alcance de todos os que chegaram a um certo grau de desenvolvimento espiritual.

Pierre Weil

Aborto: Nunca mais!

Num programa de TV, bastante conhecido, "Você decide", uma moça de dezesseis anos, engravida. O pai lhe sugere abortar. A avó é contra. O público decide por quase cem mil telefonemas contra e uns cinqüenta mil a favor, que a moça não deve abortar. O enredo termina com o apoio de toda família e a vitória do amor.



Isto mostra que provavelmente a maioria da população brasileira é contra o aborto. Mas isto constitua apenas uma das razões pelas quais o aborto é desaconselhável. Existem outras entre as quais podemos citar as seguintes:

Em primeiro lugar há razões ligadas ao amor da mãe pela criança e vice versa, da criança pela mãe. Logo depois da fecundação, e a medida que o feto cresce se estabeleçam profundas relações amorosas, nem sempre conscientes. Esta ligação tem natureza telepática. Basta a mãe pensar na criança e mandar-lhe amor do coração, e a criança responde mexendo no ventre materno.

Há também fatos que indicam que o feto sabe quando que a mãe pretende abortá-la. Com efeito, lembranças obtidas em terapias profundas de adultos, às vezes chegam a reviver as ameaças de aborto. Estas vivências são acompanhadas de raiva e ressentimentos. Não raro a mãe reconhece o fato e há necessidade de expressar o ressentimento e compreender os motivos da mãe para se chegar a isto, relevar e perdoar.

Por conseguinte não há diferença entre um feto e uma pessoa já nascida. Ambos são vivos. Matar um feto ou matar uma pessoa é um ato idêntico do ponto de vista ético e moral.

Terapia de pais e especialmente de mães, tem mostrado que há conseqüências psicológicas que podem se estender a dezenas de anos, tanto no plano deste frustra um destino e uma oportunidade que foi dada a esta alma de ocupar este corpo.

Quem assistiu a apresentação do filme do feto sendo destruído, e viu o sofrimento e o dilaceramento que o aborto produz, não tem mais dúvidas. Aborto é uma violência contra a natureza.

O fato da lei permitir o aborto em certos países, não muda nada ao que estamos afirmando aqui.

Muitas mães, em vez de abortar podem optar pela alternativa de entrar com um pedido de encontrar uma família que queira adotar a sua criança. Este pedido pode ser feito numa instituição que cuida de adoção.

Pierre Weil

Vídeo para reflexão

Pare um pouco...

Hoje parei um pouco, adiei minha rotina, atrasei alguns compromissos e comecei a refletir um pouco sobre nosso cotidiano atual que chamamos de vida.
E cheguei a conclusão de quanto eu corria, corria, corria... "Tentando morder o próprio rabo", "dando murro em ponta de faca", "tapando o sol com a peneira" ou sei lá, como posso definir essa pressa que , pouco a pouco vai nos desumanizando...
Pessoas andam sempre num vai e vem, atropelando umas às outras sem pelo menos tempo pra pedir desculpas, olhares indiferentes, cabeça baixa em direção aos ponteiros do  relógio calculando ,talvez, o dinheiro que estão perdendo. Já que também se perderam na lógica capitalista de que "tempo é dinheiro."
Os dias passam cada vez mais velozes, e o  que vejo é a nossa sociedade se mecanizando, pessoas cada vez mais indiferentes e infelizes. Esqueceram que a felicidade é algo simples e que a modernidade complicou tudo. O neoliberalismo nos levou a acreditar que o TER é o sentido de nossas vidas e que o SER não importa muito. Enquanto isso nosso espírito se agoniza em busca de algo que não encontramos nas coisas materiais, somente nas pessoas... São respostas que só são transmitidas através de um olhar, de um sorriso,um abraço, um beijo, uma canção, poesia,etc. Tais coisas parecem nem existir, com tanto individualismo e alheamento estamos acabando com a humanidade. É urgente resgatar nossa essência humana para que possamos viver essa vida de forma intensa. É preciso lutar contra esse sistema que nos engana a todo o tempo insistindo que "o lugar de ser feliz é o supermercado."Felicidade é mais que isso, ela está tão perto que não estamos vendo-a ,se quiser ver, faça o mesmo, pare um pouco, adie sua rotina, atrase alguns compromissos e comece a refletir isso que você chama de vida. E verá que o tempo perdido foi aquele no qual você ,em algum momento, deixou de amar...

Alexandre

La cittá futura- Gramsci



“Odeio os indiferentes. Acredito que viver significa tomar partido. Não podem existir apenas homens, estranhos à cidade. Quem de verdade existe e vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, é covardia!!! Não é vida. A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador. É a matéria que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos. É o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor que seus guerreiros. Odeio os indiferentes também porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço conta a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe cotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar minha compaixão, que não posso repartir com eles minhas lágrimas. Sou cidadão, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura, que estamos a construir”.

Gramsci

Albert Einsten

”A ciência sem a religião é manca, religião sem a


ciência é cega.”


”A maioria de nós prefere olhar para fora do que para

dentro de si mesmos.”



”A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao

seu tamanho original.”


”Nenhuma soma de experiência pode provar que se tem

razão, mas basta uma só experiência para mostrar que se está

errado.”



”Nunca me preocupo com o futuro. Muito em breve ele

virá.”


”O Homem é um ser eletrônico moldado à sua própria

conciência.”


”O mistério da vida me causa a mais forte emoção. É o

sentimento que suscita a beleza e a verdade, cria a arte e a ciência. Se alguém

não conhece essa sensação ou não pode mais exprimir espanto ou surpresa, já é um

morto-vivo e seus olhos se cegaram.”



”O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, mas sim

por aquelas que permitem a

maldade.”


”O mundo não vai superar

sua crise atual usando o mesmo pensamento que criou essa

situação.”


”O único lugar onde o

sucesso vem antes que o trabalho é no

dicionário.”


”Os

ideais que iluminaram meu caminho e que sempre me deram uma nova coragem para

encarar a vida, foram: a bondade, a beleza e a

verdade.”


”Procure ser um homem de

valor, em vez de procurar ser um homem de

sucesso.”


”Quanto mais eu

observo o universo mais ele se parece a um grande pensamento do que a uma grande

máquina.”


”Se um

dia tiver que escolher entre o mundo e o amor… Lembre-se: Se escolher o mundo,

ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o

mundo!”



”Uma noitada em que

todos os presentes estão absolutamente de acordo é uma noitada

perdida.”

Mistério e beleza

É estranho o ser humano,
deseja tanto um alguém
que possa compartilhar sonhos e planos
abraçar e ser abraçado

ensinar e ser ensinado.
E quando isso acontece,
logo o ser se desespera.
Temendo o futuro e incertezas
E não entendem que mistério e beleza
são coisas que andam sempre juntas.



Alexandre

O mistério de amar



Há tantos mistérios entre o amor e o desejo
de que entre a terra e o céu.
Uns entendem como uma só coisa,
outros pensam amar quando simplesmente,desejam...
O desejo parte de nós e retorna
o amor parte de nós e se estabelece no outro.
É algo que desafia as ciências, a razão e paradigmas,
pois quando mais se ama,mais existe amor.
Ele não se desgasta,apenas se renova.
É arte, poesia, prosa...
É tudo que resulta em sorrisos, que nos leva ao paraíso
e nos mostra que o sentido da vida se resume em amar...

Alexandre  14/09/2009

Muito cedo para decidir


Rubem Alves

Gandhi se casou menino. Foi casado menino. O contrato, foram os grandes que assinaram. Os dois nem sabiam direito o que estava acontecendo, ainda não haviam completado 10 anos de idade, estavam interessados em brincar. Ninguém era culpado: todo mundo estava sendo levado de roldão pelas engrenagens dessa máquina chamada sociedade, que tudo ignora sobre a felicidade e vai moendo as pessoas nos seus dentes. Os dois passaram o resto da vida se arrastando, pesos enormes, cada um fazendo a infelicidade do outro.



Vocês dirão que felizmente esse costume nunca existiu entre nós: obrigar crianças que nada sabem a entrar por caminhos nos quais terão de andar pelo resto da vida é coisa muito cruel e... burra! Além disso já existe entre nós remédio para casamento que não dá certo.



Antigamente, quando se queria dizer que uma decisão não era grave e podia ser desfeita, dizia-se: "isso não é casamento!". Naquele tempo, sim, casamento era decisão irremediável, para sempre, até que a morte os separasse, eterna comunhão de bens e comunhão de males. Mas agora os casamentos fazem-se e desfazem-se até mesmo contra a vontade do Papa, e os dois ficam livres para começar tudo de novo...



Pois dentro de poucos dias vai acontecer com nossos adolescentes coisa igual ou pior do que aconteceu com o Gandhi e a mulher dele, e ninguém se horroriza, ninguém grita, os pais até ajudam, concordam, empurram, fazem pressão, o filho não quer tomar a decisão, refuga, está com medo. "Tomar uma decisão para o resto da minha vida, meu pai! Não posso agora!" e o pai e a mãe perdem o sono, pensando que há algo errado com o menino ou a menina, e invocam o auxílio de psicólogos para ajudar...



Está chegando para muitos o momento terrível do vestibular, quando vão ser obrigados por uma máquina, do mesmo jeito como o foram Gandhi e Casturbai (era esse o nome da menina), a escrever num espaço em branco o nome da profissão que vão ter.



Do mesmo jeito não: a situação é muito mais grave. Porque casar e descasar são coisas que se resolvem rápido. Às vezes, antes de se descasar de uma ou de um, a pessoa já está com uma outra ou um outro. Mas, com a profissão não tem jeito de fazer assim. Pra casar, basta amar.



Mas na profissão, além de amar tem de saber. E o saber leva tempo pra crescer.



A dor que os adolescentes enfrentam agora é que, na verdade, eles não têm condições de saber o que é que eles amam. Mas a máquina os obriga a tomar uma decisão para o resto da vida, mesmo sem saber.



Saber que a gente gosta disso e gosta daquilo é fácil. O difícil é saber qual, dentre todas, é aquela de que a gente gosta supremamente. Pois, por causa dela, todas as outras terão de ser abandonadas. A isso que se dá o nome de "vocação"; que vem do latim, vocare, que quer dizer "chamar". É um chamado, que vem de dentro da gente, o sentimento de que existe alguma coisa bela, bonita e verdadeira à qual a gente deseja entregar a vida.



Entregar-se a uma profissão é igual a entrar para uma ordem religiosa. Os religiosos, por amor a Deus, fazem votos de castidade, pobreza e obediência. Pois, no momento em que você escrever a palavra fatídica no espaço em branco, você estará fazendo também os seus votos de dedicação total á sua ordem. Cada profissão é uma ordem religiosa, com seus papas, bispos, catecismos, pecados e inquisições.



Se você disser que a decisão não é tão séria assim , que o que está em jogo é só o aprendizado de um ofício para se ganhar a vida e, possivelmente, ficar rico, eu posso até dizer: "Tudo bem! Só que fico com dó de você! Pois não existe coisa mais chata que trabalhar só para ganhar dinheiro."



É o mesmo que dizer que, no casamento, amar não importa. Que o que importa é se o marido — ou a mulher — é rico. Imagine-se agora, nessa situação: você é casado ou casada, não gosta do marido ou da mulher, mas é obrigado a, diariamente, fazer carinho, agradar e fazer amor. Pode existir coisa mais terrível que isso? Pois é a isso que está obrigada uma pessoa, casada com uma profissão sem gostar dela. A situação é mais terrível que no casamento, pois no casamento sempre existe o recurso de umas infidelidades marginais. Mas o profissional, pobrezinho, gozará do seu direito de infidelidade com que outra profissão?



Não fique muito feliz se o seu filho já tem idéias claras sobre o assunto. Isso não é sinal de superioridade. Significa, apenas, que na mesa dele há um prato só. Se ele só tem nabos cozidos para comer, é claro que a decisão já está feita: comerá nabos cozidos e engordará com eles. A dor e a indecisão vêm quando há muitos pratos sobre a mesa e só se pode escolher um.



Um conselho aos pais e aos adolescentes: não levem muito a sério esse ato de colocar a profissão naquele lugar terrível. Aceitem que é muito cedo para uma decisão tão grave. Considerem que é possível que vocês, daqui a um ou dois anos, mudem de idéia. Eu mudei de idéia várias vezes, o que me fez muito bem. Se for necessário, comecem de novo. Não há pressa. Que diferença faz receber o diploma um ano antes ou um ano depois?



Em tudo isso o que causa a maior ansiedade não é nada sério: é aquela sensação boba que domina pais e filhos de que a vida é uma corrida e que é preciso sair correndo na frente para ganhar. Dá uma aflição danada ver os outros começando a corrida, enquanto a gente fica para trás.



Mas a vida não é uma corrida em linha reta. Quando se começa a correr na direção errada, quanto mais rápido for o corredor, mais longe ele ficará do ponto de chegada. Lembrem-se daquele maravilhoso aforismo de T. S. Eliot: "Num país de fugitivos os que andam na direção contrária parecem estar fugindo."



Assim, Raquel, não se aflija. A vida é uma ciranda com muitos começos.



Coloque lá a profissão que você julgar a mais de acordo com o seu coração, sabendo que nada é definitivo. Nem o casamento. Nem a profissão. E nem a própria vida...



O escritor responde a uma estudante angustiada e dá aos pais motivos para meditarem sobre a escolha da profissão.





O texto acima foi extraído do livro "Estórias de quem gosta de ensinar — O fim dos Vestibulares", editora Ars Poetica — São Paulo, 1995, pág. 31.



Rubem Alves: tudo sobre o autor e sua obra em "Biografias".