A história das coisas


Veja aqui como são produzidas todas as mercadorias em circulação no mundo.
Conheça também o que é o capitalismo, seus fetiches e enganos.
 E aproveite para desalienar-se quanto ao sistema e optar por uma vida simples,
 cheia de amizades,sorrisos, simplicidade, coisas que o dinheiro não compra!

José Paulo Neto fala sobre neoliberalismo

Nesse vídeo recente, José paulo Neto desmistifica algumas ações que alguns acreditam serem possíveis em uma sociedade capitalista. Afirma que uma verdadeira mudança só acontecerá no dia em que for derrubado o sistema neoliberal.

Confira aqui o vídeo:  http://www.blip.tv/file/2419234

Politiqueiros ficha-suja

E o nosso  projeto de iniciativa popular contra os fichas sujas?
Será que está nos arquivos do Sarney?
Foram mais de 1 milhão de assinaturas!!

Fora corruptos!!

Veja aqui uma reportagem do CQC entrevistando vários deputados no Congresso: http://www.youtube.com/watch?v=00FxDhzqrIc

Quem sabe cantar o hino?

Será que existe brasileiro que sabe cantar o hino?

Presidente Lula explica como perdeu o dedo.

O presidente Lula, sempre munido de seu bom senso, explica como foi o acidente no qual perdeu o dedo quando era metalúrgico em São Bernado do Campo-SP. Muito engraçado!

Prepare-se para o vestibular

Confira dicas dos especialistas para o vestibulando se dar bem.

Não deixar atividades de lazer é importante para aliviar tensão.

Pais erram ao tentar suprir ausência com bens materiais

A criação dos filhos tem se confundido com a capacidade de dar coisas para eles. Vemos famílias sofrendo por não poderem dar determinado bem material para sua prole. Como se a posse de algo garantisse a felicidade de alguém.


Isso faz com que os pais trabalhem muito. Nesse caminho, alguns se distanciam dos filhos de tal modo que não conseguem acompanhar o desenvolvimento deles. Outros acabam tentando a vida por outras terras e ficam impedidos de orientá-los de maneira adequada, deixando a cargo de alguém de confiança essa tarefa.

Temos visto cada vez mais configurações familiares onde a tradicional perdeu espaço: pai, mãe e filhos. E quanta falta faz essa dupla na vida das crianças e adolescentes.

Com isso, muitos jovens têm como valores aquilo que se refere ao ter e possuir. Estudo e trabalho acabam ficando de fora. E uma das coisas mais valorizadas, mas não só pelos jovens, é a aparência física.

Vaidade

Vemos desde cedo crianças e adolescentes vaidosos além da conta. A beleza e seus padrões, o culto ao corpo e a estética ocupam, muitas vezes, lugar de destaque em suas vidas.

Tanto é assim que, por incrível que pareça, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, no período de um ano, entre 2007 e 2008, 13% dos pacientes que fizeram algum tipo de procedimento estético estão na faixa dos 14 aos 18 anos – cerca de 100 mil jovens fizeram cirurgia plástica.


Fora os controladores de apetite nessa busca sem limites da magreza e outras drogas, como essa que parece ter vitimado a jovem Jenyfer Sthefane semana passada – os anabolizantes.


Essa garota, no intuito de ter um corpo perfeito -segundo consta, beleza física não lhe faltava- tornou-se uma assídua aluna da academia de ginástica. Não satisfeita e querendo resultados além dos possíveis com os exercícios físicos e de maneira mais rápida, recorreu a remédios a base de testosterona (hormônios masculinos), para tornar sua musculatura mais rija. Morava com a avó, saiu da escola havia três anos e não via a mãe que vivia nos EUA havia cinco. O pai morava em outro estado.

Mesmo sendo alertada dos perigos da medicação, inclusive pela mãe, não se importou. Como a maioria dos adolescentes, de maneira onipotente, achava que nada ia acontecer com ela. Só que seu corpo sucumbiu a esse ataque de drogas.

Quantas lágrimas poderiam ser evitadas caso ela tivesse sido bem orientada. A própria mãe considera que seu afastamento pode ter contribuído para esse desfecho. No entanto, foi em busca de um futuro melhor.

Futuro melhor entende-se possibilidades materiais maiores. E as necessidades emocionais e de cuidado, como ficam nessa história? Provavelmente num plano outro que não o principal. O que é uma pena. Essas são necessidades reais e legítimas dos nossos filhos. As outras, incluíndo a beleza física, são criadas por nós que, de alguma forma, tentam substituir as que realmente importam. E como isso não é possível, a busca fica incessante, nunca está bom, porque o alimento que é dado para suprir as verdadeiras carências é o errado.

Faz-se uma confusão daquilo que é realmente necessário. Possivelmente, pessoas que se importam tanto com a aparência física não se enxergam como tendo mais que um corpo, reduzindo-se a ele.

No caso de Jenyfer, ela acabou destruindo aquilo que lhe era mais importante. O pior aconteceu. Que isso sirva de alerta para que, mais que dar coisas materiais para nossos filhos, possamos enxergar as necessidades que eles têm de atenção, cuidado e carinho.

Como bem disse a mãe de Jenyfer: “Não tentem fazer como eu fiz. Dar tudo para o seu filho não supre a distância”.


(Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga

Aos heróis da resistência- ENEM 2009

Índice de abstenção do Enem 2009 foi a maior da história, 37,7% dos estudantes não compareçam a pelo menos um dos dias da prova. Maioria dos estudantes e professores classificaram a prova como muito complexa e cansativa.

Vejam aqui a prova comentada  http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL1405211-5604,00-CONFIRA+A+CORRECAO+DO+PRIMEIRO+DIA+DE+PROVAS+DO+ENEM.html

Deixe aqui o seu comentário sobre o ENEM 2009. Foi fácil, difícil?

Rede Globo e a ética


Vejam aqui um vídeo que a Rede Globo tentou censurar de todas as formas, mas graças ao avanço das ferramentas de comunicação, como a internet, é possível conhecer o que é essa emissora e o quanto ela nos têm enganado durante todos esses anos.

Confiram esse vídeo  http://video.google.com/videoplay?docid=-570340003958234038#

Fora Sarney

Em 1950, aos poucos o câncer tomou conta de diversos órgãos do corpo.

Passou de malígno a benígno e de bem ao mal, como o dia passa para a noite.

Conseguiu desaparecer de cena, destruindo por dentro e em silêncio,

um corpo que tentava sobreviver de épocas duras.

Aliou-se a outras doenças e ficou tão forte e devastador,

que até agora não encontraram remédio para exterminar de vez o mal.

E uma população imensa de médicos, tão boa quanto de técnicos de futebol,

é ludibriada e não sabe ao certo o diagnóstico.

Para entender como evitar outro mal como esse, é necessária uma terapia do voto,

depois que o acamado Brasil, sair dessa para uma melhor.

O câncer quando cedo descoberto pode ser aliviado, mas se o descobrimos tarde,

é certo a morte do paciente.

Com 59 anos ele atingiu o máximo.

O Brasil está politicamente à beira da morte.

Não há remédio.

A retirada da sujeira é o certo a fazer.

Retiremos os podres e partes doentes.

Ajudemos o paciente.

Doemos nossos orgãos.

Cirurgia com data marcada, para 03 de outubro de 2010.

Convoquem-se os mais de 140 mil médicos.

Salvemos o Brasil!

Cigarro

Neste vídeo, Danilo Gentili do CQC faz um stand up bastante engraçado sobre o cigarro. Confiram http://www.youtube.com/watch?v=k67eGZH7NIk

E o direito de ir e vir?

Parece até uma piada, mas acreditem. Em uma cidade do interior de São Paulo, chamada Assis, todo cidadão que esteja na rua a não ser no exercicío do trabalho é preso! Um absurdo! O CQC foi lá conferir e o réporter Danilo Gentili Acabou sendo preso.

Confiira aqui: http://www.youtube.com/watch?v=1LwwZ3JvTF8

Sobre o amor

Essa manhã eu refletia comigo:Porque o amor não acontece no mundo?Por que se fala tanto em amor e nada acontece?


Percebi algo que julguei importante;não será porque as pessoas esperam sentir o amor para amar?Será que é por que agem unicamente por sentimentos?

Logo notei o quanto isso é perigoso...Pois,amor NUNCA foi sentimento!É decisão,atitude,tomada com a razão.É um simples SIM mesmo sem ter vontade,é ir,fazer e pronto.É sacrifício,algo desinteressado...São atitudes concretas de carinho,amizade,paciência,perdão,etc,mesmo se tal pessoa não merecer.É justamente nisto que se consiste o sacrifício do amor,amar sem sentir,só pela razão,amar quem não merece,amar os inimigos...

Que mérito tem em amar alguém cativante pois,a criatura por si só já é amável...Entenda que o verdadeiro amor é aquele no qual amamos sem interesses,apenas por ver alguém feliz...

Mas lembre-se que não há plantios sem colheitas e que os frutos do amor são os mais saborosos...E o ser que o experimenta tem sua alma envolvida em grande paz e felicidade,pois, amar é o nosso fim último,para isso é que fomos criados,e sendo até mais atrevido:o amor é o sentido da vida,somente egoístas desperdiçam a vida...


"Essa vida é para aprender a amar..." (Dom Hélder Câmara)

Entrevista recente com FHC


Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Augusto Nunes, colunista da revista Veja, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) revisa os aspectos mais importantes de seus dois mandatos (1995-2003) e da transição para o governo petista comandado por Luis Inácio Lula da Silva.


O político relembra como o Plano Real foi criado, fala sobre as privatizações, principalmente as das telecomunicações, sobre a lei de responsabilidade fiscal, sobre programas de saneamento de bancos e de financiamento da agricultura familiar, sobre o fortalecimento da Petrobras durante seu governo, sobre corrupção e outros assuntos

Confira aqui a entrevista completa:  http://br.noticias.yahoo.com/s/24112009/48/manchetes-fernando-henrique-cardoso-concede-entrevista.html

Como construir uma cidade melhor

É bastante comum ouvir queixas de pessoas insatisfeitas com a administração das cidades onde moram. Dizem que a saúde é precária, a educação é desacatada, que a violência está cada vez aumentando, que o prefeito não faz nada, etc.

Reclamam como se a situação não tivesse nada a ver com elas, colocam sempre a culpa nos prefeitos, vereadores e secretários. Engano! Um dos principais culpados de todas as insatisfações são justamente (pasmem!) dos cidadãos, que não fiscalizam a verba do município e deixam tudo a mercê dos administradores. Pensam que seus deveres de cidadãos são cumpridos somente no dia da eleição, outro engano!

É tarefa do eleitor acompanhar sempre os trabalhos de seus representantes, seja nas reuniões de câmara, reuniões de bairro, através de outros contatos como e-mails, telefonemas,etc., o que não é permitido é deixar de cobrar.

Quanto mais longe e desinteressados pela política o povo estiver, mais ainda os politiqueiros gostam, pois assim não são vigiados e nem precisarão ser transparentes. Em todas as cidades onde existe corrupção, existe também um povo estagnado, não participantes da gestão pública, ou seja, muitos dizem não participar porque odeiam política quando na verdade não entendem nada sobre ela.

Há muito o que ser feito pela política, basta que haja pessoas com visões inovadoras, que não pensem que administrar uma cidade é somente asfaltar ruas e distribuir cestas básicas.

(Artigo publicado na Revista Sou + Minas de Capelinha-MG)

Entrevista com o Presidente Lula

Veja aqui uma recente entrevista com o nosso presidente Lula, em uma das entrevistas mais completas que o presidente cedeu à mídia nacional . Lula fala de sua infância pobre, momentos difíceis, mensalão, FHC, atualidade,etc.

A entrevista é composta por 3 partes, não deixe de assistí-la completamente.
Após assistir, deixe aqui sua opinião a respeito do presidente.

http://www.youtube.com/watch?v=tdRzPvtjk9M

Parabéns ao CQC!

Parabéns ao Programa Humorístico da Band, CQC, por trazer ao Brasil matérias com humor inteligente e irrverente. É uma grande satisfação pensar que o hoje, o Brasil possui uma mídia independente, ode à aquela cambada de corruptos antiéticos da Rede Globo que enganaram o humilde povo brasileiro por durante anos.

O CQC representa a nova liberdade democrática de expressão, ridicularizando esses politiqueiros corruptos de Brasília, expondo-os ao rídiculo, como eles próprios são.

Não deixem de assistir,todas as segundas feiras, ás 22:15 e reprise aos sábados a partir das 23:15 na Band.

Assista esse ótimo vídeo ridicularizando os deputados Edmar Moreira e Sérgio Moraes.

http://www.youtube.com/watch?v=w6fuy36ILiA

http://www.youtube.com/watch?v=U1r_BozrVGQ

Instinto

O meu corpo é um burro sem rédeas
faz coisas que abomino.
Acende todos os desejos
que se negam a desorbitar do meu umbigo.

O meu corpo é como um fogo
que nunca basta de lenha.
E sinto que o desejo me consome
e me faz prisioneiro de mim mesmo.

Quero aprender olhar pra fora,
me dissociar do meu ego insaciável,
a fazer uso da razão.
Pois não há nada mais enganador
que o próprio coração.


Alexandre Macedo  10/11/2009

Protagonista

Meu desejo repousa no sentido
No lugar que minha consciência se regozije,
onde meu coração descanse
num lugar onde eu volte a ser criança.


Ao sabor do vento
minha alma cansa.
A indecisão me faz sofrer
no meu coração há uma lança.

Se decido por um caminho
meus passos se tornam mais firmes,
e mesmo com tropeços e quedas
sinto que a esperança resiste.

Pois o sentido da vida
consiste em a ela dar sentido
Não espere que lhe tragam flores,
se a vida é uma história, seja protagonista.

Alexandre Macedo 12/11/09

Poesia de Bertold Bretch

 
Privatizado


Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.

É da empresa privada o seu passo em frente,

seu pão e seu salário.

E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.

Bertolt Brecht


O pior analfabeto

É o analfabeto político,

Ele não ouve, não fala,

nem participa dos acontecimentos políticos.



Ele não sabe que o custo de vida,

o preço do feijão, do peixe, da farinha,

do aluguel, do sapato e do remédio

dependem das decisões políticas.



O analfabeto político

é tão burro que se orgulha

e estufa o peito dizendo

que odeia a política.



Não sabe o imbecil que,

da sua ignorância política

nasce a prostituta, o menor abandonado,

e o pior de todos os bandidos,

que é o político vigarista,

pilantra, corrupto e o lacaio

das empresas nacionais e multinacionais.

Utopia

"A utopia está lá no horizonte.

Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos.

Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.

Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.

Para que serve a utopia?

Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".

Eduardo Galeano

Politicagem

No nosso primeiro artigo, tratamos aqui sobre o que seria a verdadeira política, aquela voltada para o bem-estar e satisfação plena das necessidades de uma determinada população. Dessa vez, vamos fazer o contrário, tentaremos entender o que é a politicagem.
A politicagem é a maneira mesquinha de fazer política, ou seja, é a prática voltada para os próprios interesses e recheada de demagogia. Geralmente, ela é embasada na troca de favores, algo do tipo: “Toda sua família vota em mim e quando eleito lhes darei o que vocês precisarem!”. É sempre a mesma história, é dentadura pra um, material de construção para outro, tratamento médico, ofertas de cargos públicos, dinheiro, etc. O pior é que as pessoas não enxergam que, ao mesmo tempo em que recebem tais benefícios do candidato “bonzinho”, estão colocando no poder uma salafrário, charlatão e corrupto, que lá, vai estar por quatro anos buscando sempre uma maneira de favorecer a si próprio. Tais politiqueiros pensam que toda obrigação que deviam ao povo foi cumprida quando pagou pelos votos. Candidato assim não se preocupa, pois sabe que quando estiver no poder vai recuperar todo o dinheiro investido. E “metem a mão” uma vez para recuperarem os gastos da campanha, “metem a mão” novamente para pagar o “favorzinho” que havia esquecido para a Dona Maria, e “metem a mão” de novo para embolsarem um pouco, pois se consideram também “filhos” de Deus e merecem uma “recompensa”. E o final da história vocês já sabem, passam se quatro anos e a cidade não sai do lugar.

Em época de campanha é sempre do mesmo jeito, o candidato te reconhece do outro lado da rua, pega na sua mão e te mostra aquele sorriso, sem antes nunca ter olhado na sua cara. Nos comícios é aquele “bate-boca” infindável, faltando citar a mãe do outro na polêmica. Se fossem verdadeiros políticos, estariam ali com a população discutindo idéias e sonhos a fim de construir uma cidade mais humana, justa e fraterna. Se tivessem vocação e entendimento político, conscientizavam as pessoas do poder que elas têm nas mãos; de opinar, criticar, cobrar e também participar de todas as decisões do município.

Não devemos nunca nos esquecer que somos responsáveis por aqueles que elegemos. Após as eleições é preciso acompanhar de perto o trabalho de nossos representantes, participando e opinando nas reuniões de câmara, cobrando promessas eleitorais, exigir transparência no orçamento público, etc. Enfim, é preciso entender que vereadores, prefeitos, deputados e outros, são simplesmente EMPREGADOS do povo, e ao povo devem toda a obrigação.

E nunca se esqueçam, qualquer melhoria rumo ao desenvolvimento de uma cidade, seja na cultura, educação, esporte, saúde e outros, depende da política. Por isso, da próxima vez, analisem o passado político de seus candidatos, votem conscientes e não deixem prevalecer a velha história de que “brasileiro tem memória curta.” Afinal, quatro anos é muito tempo para se perder...

Alexandre Macedo

(Artigo publicado na Revista Sou + Minas de Capelinha-MG)

Sistema econômico ruindo: à procura do novo.

A minha formação de educador e de psicólogo me manteve bastante longe da compreensão de assuntos econômicos e o que mais deveria fazer seria me manter quieto em vez de dar palpites num assunto pouco familiar. Acontece no entanto que, como qualquer cidadão, estou sofrendo as consequências de um sistema econômico em franco regime de catástrofe. pelo menos tenho o direito de perguntar aos economistas se existe saída para este estado de coisas.



Pelo que entendi até agora é que o nosso Planeta Terra não agüenta mais o consumo exagerado dos países do primeiro mundo. O hiperconsumismo está destruindo sorrateiramente a vida no nosso Gaia.


Paralelamente a isto, o terceiro mundo, situado no Sul do hemisfério tem como maior sonho chegar ao grau de desenvolvimento econômico dos países chamados desenvolvidos.


Em outras palavras: tanto o sistema capitalista como o sistema socialista cometeram o erro fundamental de acreditar num caráter ilimitado dos recursos naturais.


Diante do fato de que os recursos do planeta são limitados, não seria o caso de colocar muito mais empenho nas recomendações do relatório brundtland que introduz um novo conceito econômico de desenvolvimento "sustentável" ou em melhor português "viável"? Mas o que significa viável senão um desenvolvimento que permita preservar a vida? É isto possível? quantos números de automóveis o planeta agüenta?


Não será o caso do Norte começar a limitar o seu consumo dentro do espírito deste movimento de simplicidade voluntária que já envolve milhões de habitantes do hemisfério Norte?


Não seria o caso também de estabelecer critérios de um conforto essencial para todo mundo e mais especialmente para os países do terceiro mundo? Serão os novos índices de desenvolvimento humano (IDH) fomentados pela ONU suficientes para orientar esta tarefa?


Será o "Neo-liberalismo" capaz de assumir esta tarefa gigantesca, mesmo através da limitação dos estragos do capitalismo selvagem, ego-sócio e antropocentrado? Ou teremos de voltar a um dirigismo econômico com o risco de uma nova burocracia ditatorial?


Será que o combate às inflações dos países do hemisfério Sul, tem que passar pelo aumento do desemprego, da fome e da miséria? Para onde vai o dinheiro dos juros?


Quando é que os países do primeiro mundo sairão da sua cegueira e perceberão que estão sendo invadidos, sem guerra nem violência, por milhões de seres humanos do terceiro mundo à procura de emprego e comida? Quando é que perceberão que isto provém em grande parte de dívidas externas impossíveis de serem saldadas? Quando é que chegarão a conclusão de que o "conforto essencial" do Sul é uma condição de sobrevivência do Norte? Não será também o caso do Leste Europeu? Onde tiver pobreza haverá invasão, em geral difícil de ser controlada. Perdoar as dívidas externas não será em parte, um caminho para chegar ao conforto essencial do sul e do Leste?


Há meios econômicos de controlar o aumento populacional? E este aumento realmente é maléfico em última instância, ou haverá meios econômicos compatíveis com o conforto essencial para as novas populações surgidas deste aumento? Será que a Terra está ainda em pleno processo de ser povoada pelo ser humano?

Pierre Weil

Neocapitalismo ou Neofeudalismo?

Vivemos numa época muito curiosa e até intrigante. Algo está a nos deixar perplexos: À medida que se desenvolve o neo-capitalismo, a pobreza e a miséria aumenta. Isto se dá não somente nos países pobres, mas também nos, do primeiro mundo.



As causas são bastante conhecidas desde os estudos de Marx. Há porém fatores mais recentes que vem ainda mais piorar o quadro: a explosão populacional, a automação, a informática, o "enxugamento" dos programas de racionalização do trabalho, estão "jogar" milhões de seres humanos para a rua aumentando estupidamente o número de excluídos do processo sócio-econômico.


Com isto estamos voltando progressivamente à uma situação bastante parecida com a da época feudal, na qual tinha os senhores feudais com a sua corte e súditos que viviam numa situação financeira ótima ou razoável conforme o caso, e de outro lado a maioria do povo que padecia na miséria. O resultado era uma situação permanente de assaltos, violência, roubos, o que obrigava a classe dominante a se trancar dentro de castelos, cercados por um sistema de defesa constituído por um cinturão de água, e colossais muros. Para entrar, a famosa ponte levadiça.


Parece que estamos voltando para uma situação bastante parecida. Enquanto aumenta a pobreza e a miséria, através sobretudo do desemprego, aumentam os assaltos e, paralelamente as medidas de proteção; a única diferença com a época medieval, é que os sistemas de defesas foram modernizados. Em vez das altas paredes, temos as grades metálicas pontiagudas; no lugar da ponte elevadiça, temos o portão eletrônico; as torres de observação, foram substituídas por câmaras de televisão e os vigias que davam o alarme são agora representados por sistemas eletrônicos de alarme.


A história se repete, mas com diferenças referente à época. Os meios primitivos da era medieval foram substituídos por processos etnológicos sofisticados. Mas a situação e a sintomatologia são assustadoramente parecidos. Não será um dos sinais de alarme de que precisamos mudar de sistema econômico?

Vídeo para reflexão

Fábrica de consumidores

Era uma vez uma população de seres humanos bastantes estranhos. Era dominada por uma turma de outros seres humanos que os levava todos os dias, tal como gados, para as fábricas e escritórios, sem que eles nem pudessem reagir.



Não que eles fossem forçados a ir pelo domínio de uma polícia que os empurraria para uma espécie de curral; Não era assim que as coisas se passavam. A turma de cima era muito mais esperta e usava processo sofisticadíssimos, meios que faziam que os seres humanos nem percebiam que eram encurralados; muito antes pelo contrário: tinham a certeza que iam trabalhar com toda liberdade. o processo usado pela turma dominante era a educação. Desde o berço e depois na escola se mostrava que o objetivo da vida era a produção; sem produção não se podia viver nem sobreviver; sem produção não havia possibilidade de ganhar dinheiro; e com o dinheiro se podia comprar uma séria de coisas inúteis e ilusórias, como brincos, patinetes, rádios de pilhas, televisões, computadores, quadros, estátuas, vasos, etc.


E cada um comprava o que precisava e não precisava, também sem saber o que estava induzindo a consumir; como cada um tinha uma TV ou um rádio ou pelo menos compravam um jornal por dia, a turma de cima tinha montado um outro sistema reforçador da educação anterior: martelava a cabeça da população com anúncios, slogans, os mais diversos o que faziam com que todo mundo fossem para as lojas comprar aquilo que passavam dias e dias, produzindo nas fábricas e nas oficinas.


Assim esta população passava quase todo o seu tempo produzindo produtos para depois comprá-los e os consumir.


Eram infelizes, brigavam nos campos de futebol onde eram levados pelo mesmo processo.


Alguns raros seres humanos escapavam deste processo; Viviam escondidos em florestas; Viviam felizes, em harmonia com a natureza, sem dinheiro, nem rádio, nem TV, nem geladeira. Confiavam num ser maior cuja a natureza lhes proporcionava o conforto essencial...


E não precisa dizer que toda a semelhança com seres humanos atuais será mera coincidência...

Pierre Weil
 

Como despertar o amor...

Passei dezenas de anos sem saber o que é o verdadeiro amor. Certo dia, durante um retiro de três anos com um mestre do Tibet, perguntei a um deles: "O que é amor?" Ele me respondeu: "Amar consiste em querer a felicidade de todos os seres". Fiquei surpreso e deslumbrado com esta resposta.



Muitas pessoas tem momentos privilegiados em que se sentem invadidos por uma felicidade tal, que transborde os seus limites pessoais, e faz com que desejam que esta felicidade seja de todo mundo. Isto acontece nos primórdios de um namoro por exemplo, em que estamos como transportados pela felicidade e comunicamos isto para os outros, os amigos, os conhecidos. Neste período, podemos dizer que estamos em estado de amor.


Este, desperta quando jogamos pontes sobre as fronteiras e os limites ilusórios do nosso próprio ego, e passamos a "querer bem" ao outro. Isto pode começar com o namorado e se estender a todos seres vivos.


A questão é que este deslumbramento desaparece depois de um certo tempo criando saudades "daquele tempo" e ressentimentos pelo fato que não se consegue fazê-lo voltar. Como despertar e cultivar este estado de amor de modo permanente?


Se olharmos mais de perto o que acontece durante os primórdios de namoro vamos verificar a presença de três aspectos diferentes mas que se mantém inseparáveis quando harmoniosamente equilibrados. São eles:

1. O despertar da forma sexual da energia no ser humano, como impulso irresistível

2. O despertar de sentimentos puros, românticos, de afeição, de ternura, de doação. Este impulso é também muito forte e irresistível como o sexo. Começa a descoberta da alma do outro e da sua própria. É uma verdadeira revelação. É o impulso de erros.

3. Despertar do amor verdadeiro como descoberta da verdadeira natureza do espírito e como vivência permanente dos valores ligados a ele, tais como a beleza, a verdade, o sagrado, o caráter maravilhoso e divino da existência, o eterno da vida.


Encontramos esta distinção bastante esclarecedora no livro de Eva Pierrakos. Consideramos esta obra como uma das maiores sínteses jamais escrita sobre o assunto do amor. Ela nos mostra como Eros constitui o elo entre o sexo e o amor. A força erótica precisa ser mantida pois é ela que leva ao verdadeiro amor. Excesso de atividade sexual arrisca matar Eros. "Você deve utilizar essa força de Eros como um impulso inicial, e através encontrar o estímulo de prosseguir por seu próprio alento. Então, disse ela, você terá atraído Eros para o verdadeiro amor".


Freud já dizia que o casal que quer manter a ternura precisa limitar a freqüência das suas relações sexuais. O que Eva Pierrakos está a nos mostrar é que é importante dissolver a separatividade entre sexo, Eros e amor. Sem amor a força de Eros desaparece. "É este, sem dúvida, o problema com o casamento. A maioria das pessoas não tem condições de chegar ao casamento ideal porque é incapaz de oferecer amor puro".


Para manter um estado de amor, é preciso cultivar a força erótica uma vez instalada através da descoberta da alma de cada um. Estas almas tem qualidades infinitas, pois o espírito que as anima é eterno. A eternidade do espírito é a eternidade do amor divino.


A força criadora do sexo, se entregando a Eros, se transformará em estado permanente de amor, constantemente renovado, em força espiritual verdadeira. É uma vivência maravilhosa, ao alcance de todos os que chegaram a um certo grau de desenvolvimento espiritual.

Pierre Weil

Aborto: Nunca mais!

Num programa de TV, bastante conhecido, "Você decide", uma moça de dezesseis anos, engravida. O pai lhe sugere abortar. A avó é contra. O público decide por quase cem mil telefonemas contra e uns cinqüenta mil a favor, que a moça não deve abortar. O enredo termina com o apoio de toda família e a vitória do amor.



Isto mostra que provavelmente a maioria da população brasileira é contra o aborto. Mas isto constitua apenas uma das razões pelas quais o aborto é desaconselhável. Existem outras entre as quais podemos citar as seguintes:

Em primeiro lugar há razões ligadas ao amor da mãe pela criança e vice versa, da criança pela mãe. Logo depois da fecundação, e a medida que o feto cresce se estabeleçam profundas relações amorosas, nem sempre conscientes. Esta ligação tem natureza telepática. Basta a mãe pensar na criança e mandar-lhe amor do coração, e a criança responde mexendo no ventre materno.

Há também fatos que indicam que o feto sabe quando que a mãe pretende abortá-la. Com efeito, lembranças obtidas em terapias profundas de adultos, às vezes chegam a reviver as ameaças de aborto. Estas vivências são acompanhadas de raiva e ressentimentos. Não raro a mãe reconhece o fato e há necessidade de expressar o ressentimento e compreender os motivos da mãe para se chegar a isto, relevar e perdoar.

Por conseguinte não há diferença entre um feto e uma pessoa já nascida. Ambos são vivos. Matar um feto ou matar uma pessoa é um ato idêntico do ponto de vista ético e moral.

Terapia de pais e especialmente de mães, tem mostrado que há conseqüências psicológicas que podem se estender a dezenas de anos, tanto no plano deste frustra um destino e uma oportunidade que foi dada a esta alma de ocupar este corpo.

Quem assistiu a apresentação do filme do feto sendo destruído, e viu o sofrimento e o dilaceramento que o aborto produz, não tem mais dúvidas. Aborto é uma violência contra a natureza.

O fato da lei permitir o aborto em certos países, não muda nada ao que estamos afirmando aqui.

Muitas mães, em vez de abortar podem optar pela alternativa de entrar com um pedido de encontrar uma família que queira adotar a sua criança. Este pedido pode ser feito numa instituição que cuida de adoção.

Pierre Weil

Vídeo para reflexão

Pare um pouco...

Hoje parei um pouco, adiei minha rotina, atrasei alguns compromissos e comecei a refletir um pouco sobre nosso cotidiano atual que chamamos de vida.
E cheguei a conclusão de quanto eu corria, corria, corria... "Tentando morder o próprio rabo", "dando murro em ponta de faca", "tapando o sol com a peneira" ou sei lá, como posso definir essa pressa que , pouco a pouco vai nos desumanizando...
Pessoas andam sempre num vai e vem, atropelando umas às outras sem pelo menos tempo pra pedir desculpas, olhares indiferentes, cabeça baixa em direção aos ponteiros do  relógio calculando ,talvez, o dinheiro que estão perdendo. Já que também se perderam na lógica capitalista de que "tempo é dinheiro."
Os dias passam cada vez mais velozes, e o  que vejo é a nossa sociedade se mecanizando, pessoas cada vez mais indiferentes e infelizes. Esqueceram que a felicidade é algo simples e que a modernidade complicou tudo. O neoliberalismo nos levou a acreditar que o TER é o sentido de nossas vidas e que o SER não importa muito. Enquanto isso nosso espírito se agoniza em busca de algo que não encontramos nas coisas materiais, somente nas pessoas... São respostas que só são transmitidas através de um olhar, de um sorriso,um abraço, um beijo, uma canção, poesia,etc. Tais coisas parecem nem existir, com tanto individualismo e alheamento estamos acabando com a humanidade. É urgente resgatar nossa essência humana para que possamos viver essa vida de forma intensa. É preciso lutar contra esse sistema que nos engana a todo o tempo insistindo que "o lugar de ser feliz é o supermercado."Felicidade é mais que isso, ela está tão perto que não estamos vendo-a ,se quiser ver, faça o mesmo, pare um pouco, adie sua rotina, atrase alguns compromissos e comece a refletir isso que você chama de vida. E verá que o tempo perdido foi aquele no qual você ,em algum momento, deixou de amar...

Alexandre

La cittá futura- Gramsci



“Odeio os indiferentes. Acredito que viver significa tomar partido. Não podem existir apenas homens, estranhos à cidade. Quem de verdade existe e vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, é covardia!!! Não é vida. A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador. É a matéria que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos. É o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor que seus guerreiros. Odeio os indiferentes também porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço conta a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe cotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar minha compaixão, que não posso repartir com eles minhas lágrimas. Sou cidadão, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura, que estamos a construir”.

Gramsci

Albert Einsten

”A ciência sem a religião é manca, religião sem a


ciência é cega.”


”A maioria de nós prefere olhar para fora do que para

dentro de si mesmos.”



”A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao

seu tamanho original.”


”Nenhuma soma de experiência pode provar que se tem

razão, mas basta uma só experiência para mostrar que se está

errado.”



”Nunca me preocupo com o futuro. Muito em breve ele

virá.”


”O Homem é um ser eletrônico moldado à sua própria

conciência.”


”O mistério da vida me causa a mais forte emoção. É o

sentimento que suscita a beleza e a verdade, cria a arte e a ciência. Se alguém

não conhece essa sensação ou não pode mais exprimir espanto ou surpresa, já é um

morto-vivo e seus olhos se cegaram.”



”O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, mas sim

por aquelas que permitem a

maldade.”


”O mundo não vai superar

sua crise atual usando o mesmo pensamento que criou essa

situação.”


”O único lugar onde o

sucesso vem antes que o trabalho é no

dicionário.”


”Os

ideais que iluminaram meu caminho e que sempre me deram uma nova coragem para

encarar a vida, foram: a bondade, a beleza e a

verdade.”


”Procure ser um homem de

valor, em vez de procurar ser um homem de

sucesso.”


”Quanto mais eu

observo o universo mais ele se parece a um grande pensamento do que a uma grande

máquina.”


”Se um

dia tiver que escolher entre o mundo e o amor… Lembre-se: Se escolher o mundo,

ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o

mundo!”



”Uma noitada em que

todos os presentes estão absolutamente de acordo é uma noitada

perdida.”

Mistério e beleza

É estranho o ser humano,
deseja tanto um alguém
que possa compartilhar sonhos e planos
abraçar e ser abraçado

ensinar e ser ensinado.
E quando isso acontece,
logo o ser se desespera.
Temendo o futuro e incertezas
E não entendem que mistério e beleza
são coisas que andam sempre juntas.



Alexandre

O mistério de amar



Há tantos mistérios entre o amor e o desejo
de que entre a terra e o céu.
Uns entendem como uma só coisa,
outros pensam amar quando simplesmente,desejam...
O desejo parte de nós e retorna
o amor parte de nós e se estabelece no outro.
É algo que desafia as ciências, a razão e paradigmas,
pois quando mais se ama,mais existe amor.
Ele não se desgasta,apenas se renova.
É arte, poesia, prosa...
É tudo que resulta em sorrisos, que nos leva ao paraíso
e nos mostra que o sentido da vida se resume em amar...

Alexandre  14/09/2009

Muito cedo para decidir


Rubem Alves

Gandhi se casou menino. Foi casado menino. O contrato, foram os grandes que assinaram. Os dois nem sabiam direito o que estava acontecendo, ainda não haviam completado 10 anos de idade, estavam interessados em brincar. Ninguém era culpado: todo mundo estava sendo levado de roldão pelas engrenagens dessa máquina chamada sociedade, que tudo ignora sobre a felicidade e vai moendo as pessoas nos seus dentes. Os dois passaram o resto da vida se arrastando, pesos enormes, cada um fazendo a infelicidade do outro.



Vocês dirão que felizmente esse costume nunca existiu entre nós: obrigar crianças que nada sabem a entrar por caminhos nos quais terão de andar pelo resto da vida é coisa muito cruel e... burra! Além disso já existe entre nós remédio para casamento que não dá certo.



Antigamente, quando se queria dizer que uma decisão não era grave e podia ser desfeita, dizia-se: "isso não é casamento!". Naquele tempo, sim, casamento era decisão irremediável, para sempre, até que a morte os separasse, eterna comunhão de bens e comunhão de males. Mas agora os casamentos fazem-se e desfazem-se até mesmo contra a vontade do Papa, e os dois ficam livres para começar tudo de novo...



Pois dentro de poucos dias vai acontecer com nossos adolescentes coisa igual ou pior do que aconteceu com o Gandhi e a mulher dele, e ninguém se horroriza, ninguém grita, os pais até ajudam, concordam, empurram, fazem pressão, o filho não quer tomar a decisão, refuga, está com medo. "Tomar uma decisão para o resto da minha vida, meu pai! Não posso agora!" e o pai e a mãe perdem o sono, pensando que há algo errado com o menino ou a menina, e invocam o auxílio de psicólogos para ajudar...



Está chegando para muitos o momento terrível do vestibular, quando vão ser obrigados por uma máquina, do mesmo jeito como o foram Gandhi e Casturbai (era esse o nome da menina), a escrever num espaço em branco o nome da profissão que vão ter.



Do mesmo jeito não: a situação é muito mais grave. Porque casar e descasar são coisas que se resolvem rápido. Às vezes, antes de se descasar de uma ou de um, a pessoa já está com uma outra ou um outro. Mas, com a profissão não tem jeito de fazer assim. Pra casar, basta amar.



Mas na profissão, além de amar tem de saber. E o saber leva tempo pra crescer.



A dor que os adolescentes enfrentam agora é que, na verdade, eles não têm condições de saber o que é que eles amam. Mas a máquina os obriga a tomar uma decisão para o resto da vida, mesmo sem saber.



Saber que a gente gosta disso e gosta daquilo é fácil. O difícil é saber qual, dentre todas, é aquela de que a gente gosta supremamente. Pois, por causa dela, todas as outras terão de ser abandonadas. A isso que se dá o nome de "vocação"; que vem do latim, vocare, que quer dizer "chamar". É um chamado, que vem de dentro da gente, o sentimento de que existe alguma coisa bela, bonita e verdadeira à qual a gente deseja entregar a vida.



Entregar-se a uma profissão é igual a entrar para uma ordem religiosa. Os religiosos, por amor a Deus, fazem votos de castidade, pobreza e obediência. Pois, no momento em que você escrever a palavra fatídica no espaço em branco, você estará fazendo também os seus votos de dedicação total á sua ordem. Cada profissão é uma ordem religiosa, com seus papas, bispos, catecismos, pecados e inquisições.



Se você disser que a decisão não é tão séria assim , que o que está em jogo é só o aprendizado de um ofício para se ganhar a vida e, possivelmente, ficar rico, eu posso até dizer: "Tudo bem! Só que fico com dó de você! Pois não existe coisa mais chata que trabalhar só para ganhar dinheiro."



É o mesmo que dizer que, no casamento, amar não importa. Que o que importa é se o marido — ou a mulher — é rico. Imagine-se agora, nessa situação: você é casado ou casada, não gosta do marido ou da mulher, mas é obrigado a, diariamente, fazer carinho, agradar e fazer amor. Pode existir coisa mais terrível que isso? Pois é a isso que está obrigada uma pessoa, casada com uma profissão sem gostar dela. A situação é mais terrível que no casamento, pois no casamento sempre existe o recurso de umas infidelidades marginais. Mas o profissional, pobrezinho, gozará do seu direito de infidelidade com que outra profissão?



Não fique muito feliz se o seu filho já tem idéias claras sobre o assunto. Isso não é sinal de superioridade. Significa, apenas, que na mesa dele há um prato só. Se ele só tem nabos cozidos para comer, é claro que a decisão já está feita: comerá nabos cozidos e engordará com eles. A dor e a indecisão vêm quando há muitos pratos sobre a mesa e só se pode escolher um.



Um conselho aos pais e aos adolescentes: não levem muito a sério esse ato de colocar a profissão naquele lugar terrível. Aceitem que é muito cedo para uma decisão tão grave. Considerem que é possível que vocês, daqui a um ou dois anos, mudem de idéia. Eu mudei de idéia várias vezes, o que me fez muito bem. Se for necessário, comecem de novo. Não há pressa. Que diferença faz receber o diploma um ano antes ou um ano depois?



Em tudo isso o que causa a maior ansiedade não é nada sério: é aquela sensação boba que domina pais e filhos de que a vida é uma corrida e que é preciso sair correndo na frente para ganhar. Dá uma aflição danada ver os outros começando a corrida, enquanto a gente fica para trás.



Mas a vida não é uma corrida em linha reta. Quando se começa a correr na direção errada, quanto mais rápido for o corredor, mais longe ele ficará do ponto de chegada. Lembrem-se daquele maravilhoso aforismo de T. S. Eliot: "Num país de fugitivos os que andam na direção contrária parecem estar fugindo."



Assim, Raquel, não se aflija. A vida é uma ciranda com muitos começos.



Coloque lá a profissão que você julgar a mais de acordo com o seu coração, sabendo que nada é definitivo. Nem o casamento. Nem a profissão. E nem a própria vida...



O escritor responde a uma estudante angustiada e dá aos pais motivos para meditarem sobre a escolha da profissão.





O texto acima foi extraído do livro "Estórias de quem gosta de ensinar — O fim dos Vestibulares", editora Ars Poetica — São Paulo, 1995, pág. 31.



Rubem Alves: tudo sobre o autor e sua obra em "Biografias".

Amar...

Aprendi que amar dá trabalho,
não é algo fácil, é renúncia...
Sendo o ser humano tão egoísta
como é possível amar de fato?


É urgente amar, tudo está as ruínas.
Corpos sem abraços, rostos sem beijos,
devemos deixar o orgulho de lado,
dar o braço a torcer,vencer o medo.

Amor é razão,força...
Por isso é capaz de mover o mundo
Não existe ninguém mais poderoso
Do que aquele que aprendeu que o amor pode tudo.


(Alexandre 27/08/2009)

Complicado

A vida é mesmo engraçada
uma hora a gente ri, depois cala.
Parecemos voar de tanta alegria
Ao mesmo tempo parecemos estar numa vala.


É como se eu fosse outro
E esse outro se dividisse em dois
E esses dois se transformassem em vários
E esses vários variasse tanto, que ficasse tudo complicado.

Alexandre  31/08/2009

O Clube da Esquina

No início da década de 1960, jovens músicos iniciaram uma série de encontros despretensiosos. Amigos que se conheceram aos poucos, de vários lugares, mas que se cruzaram em Belo Horizonte, iriam provocar uma revolução musical. Freqüentadores assíduos de bares, restaurantes e pontos boêmios, criaram várias referências na ainda jovem capital mineira. Mas o lugar que realmente tem as suas caras é certo cruzamento, entre as ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro de Santa Tereza.

Próximo de lá, morava um jovem de nome Salomão Borges Filho, ou simplesmente Lô, como fora apelidado. Lô, que era filho do meio entre onze filhos, e a esquina próxima à sua casa, seriam imortalizados. Começava a se desenhar o Clube da Esquina.

O Clube contou em sua totalidade com quarenta e um integrantes, mas a maioria desses componentes não teve relação direta com os trabalhos do Clube. Eis aí uma forte característica do grupo: não era algo fechado, burocrático. Todos podiam dar opinião e contribuições. Foi inicialmente representado por Milton Nascimento, Wagner Tiso, Fernando Brant, Nivaldo Ornelas, Paulo Braga, Toninho Horta e Márcio Borges. Algum tempo depois, Flávio Venturini, Lô Borges, Beto Guedes, Celso Adolfo e uma verdadeira constelação de compositores, intérpretes e colaboradores foram sendo agregados.

Para melhor entender a época abordada, faremos uma breve contextualização política e cultural.

O Brasil vivia, desde 1964, uma ditadura militar, e direitos básicos como a liberdade de imprensa e de expressão foram fortemente podados. Nos Estados Unidos, o movimento hippie ganhava força, assim como o movimento feminino e os beatniks. Na França ocorreu o lendário maio de 1968.

Na música, o rock’n’roll era a sensação do momento. Grupos como Rolling Stones, Beatles, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, ditavam as regras do inovador estilo em voga. O Rock’n’roll, que se baseava no blues dos negros americanos, com guitarras distorcidas e com maior velocidade, se destacava também por suas letras de protesto – assim como sua atitude.

Entre os tupiniquins, a Bossa Nova havia surgido no fim da década de 1950. O termo designa um movimento que misturava samba e jazz. Possui forma específica de ser tocada, com batida inconfundível e acordes dissonantes, além de ser cantada suavemente. A Jovem Guarda tentara absorver a influência do rock americano, e tornou-se febre em meados da década de 1960. Seu ritmo ficou conhecido como iê-iê-iê e utilizava-se de letras descontraídas, voltadas para o público adolescente. Por fim, a Tropicália, ou Tropicalismo, foi uma manifestação em diversas áreas culturais, mas se destacou na música, com fortes posturas comportamentais.

Em meio a tanto reboliço e apreensão, esses jovens se encontraram, fortaleceram seus laços, e lançaram os dois trabalhos: Clube da Esquina, de 1972, e Clube da Esquina 2, de 1978.

Confira a história em QUADRINHOS do clube da esquina nesse link:
http://www.museudapessoa.net/clube/clubeemquadrinhos/#


Confira aqui também um videozinho no qual eu tento tocar Clube da Esquina n°2.
http://www.youtube.com/watch?v=bgZuDH0N7Zk&layer_token=df09d450cb5f11c2

Juventude e política

Falar em política para a maioria dos jovens pode significar hoje sinônimo de apatia. "Essa apatia política é conseqüência da extrema agressividade com que a sociedade trata a juventude. As autoridades públicas não se mobilizam para garantir proteção ao jovem", explica Augusto Caccia-Bava Júnior, professor do Departamento de Sociologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Araraquara.



O desinteresse do adolescente pela política é refletido nos movimentos estudantis secundaristas e universitários. Segundo Caccia-Bava, a juventude que está formalmente constituída em partidos políticos poderia ser mais participativa, mas atua mais como cabo eleitoral. Ele acredita que algumas instituições partidárias e organizações não governamentais neutralizam a possibilidade de maior participação dos jovens na política. "Os jovens precisam voltar a constituir ideais", disse.


Nas décadas de 50 e 60, houve grande mobilização política dos jovens em movimentos pela paz e de combate à pobreza. "Com o golpe militar em 1964, tudo se interrompeu", diz. "Em meados da década de 80, houve a perspectiva da redemocratização do país."


O movimento dos caras-pintadas em protesto ao governo de Fernando Collor de Melo entrou para a História pela ousadia e persistência dos jovens. "A década de 90 é uma década de retomada política, no sentido de movimentos de resistência à corrupção", diz o professor.


DIFERENCIAL - Países latinos, como Argentina, Uruguai, Chile e Peru mantêm políticas juvenis relacionadas à cultura e cidadania na perspectiva profissional. De acordo com Caccia-Bava, a Argentina, por exemplo, tem organizações de jovens constituídas em âmbito nacional. "Nesses países, os jovens têm seus direitos constituídos", afirma. "O ponto de partida para a formação dos jovens é pensar a partir dos direitos que eles devem ter no Brasil."


Caccia-Bava acredita que não faltam projetos de formação profissional do ponto de vista técnico no país. No entanto, ele destaca que os projetos não estão associados a direitos.


Para se profissionalizar, o adolescente faz cursos do Senac, por exemplo, e dois anos depois é considerado pela empresa brasileira um adulto integrado ao mercado de trabalho. "O processo de profissionalização tecnicamente concebido como existe no país não leva à definição da identidade do jovem do ponto de vista da sua cultura", conclui.


Na opinião do professor, é necessário existir uma pauta de direitos que atendam às necessidades dos jovens. "Toda a política social voltada ao jovem atinge-o de forma periférica", explica o professor, que acredita que a formação profissional não implica exercício da cidadania porque é direcionada ao mercado de trabalho que está em desagregação.